Da série BASTIDORES DO VAREJO, de Sergio Muller
É interessante ler o que maioria dos empresários propala, aos quatro cantos deste Brasil, quanto a sua absoluta opinião contra os preconceitos e as discriminações. São verdadeiros paladinos e vorazes defensores da oportunidade para todos. No entanto, cá para nós, a discriminação e o preconceito rondam veladamente a maioria das empresas neste país.
Um dia desses, discutíamos, eu e alguns senhores de empresas, como é difícil o emprego para determinados segmentos de nossa sociedade. Alguns do grupo contestavam a idéia principal da conversa, afirmando que nas empresas deles era assim e assado, e que preconceitos e discriminações não faziam parte de seus princípios. Mas, era discutível e uns não tinham plena convicção se os seus gerentes de divisões e filiais, ou os seus homens de recursos humanos, não usavam desta conduta.
Basta um olhar sobre o quadro de empregados de qualquer empresa para se constatar que o padrão de aparência é sim um dos maiores requisitos para se obter uma vaga. Claro, a candidato admitido deve preencher outros requisitos de praxe, mas não é isto que está em jogo.
Vou me permitir não usar termos elegantes ou normativos para definir as vítimas destas discriminações. Talvez me pronunciando de forma mais prática, na expressão popular, tenha melhores resultados. Então, nada de afros-descendentes, nem obesos e nem excluídos, mesmo porque este é um artigo que os defende.
O que se questiona é que, se um branco e um negro, se um magro ou um gordo, se um bem de vida ou um pobre, tiverem as mesmas aptidões, a escolha recairá invariavelmente no branco, magro e no bem de vida. Questionem os quantos quiserem, mas é o que eu tenho visto por aí. Este é o padrão, tal qual é definido para se desfilar em passarelas. Tanto para homens como para mulheres.
Antes dos (contra) argumentos dos que possam me contestar, é prudente que eles façam um tour pelas empresas. Comece pelas lojas dos shoppings, entre pelas farmácias, percorra os bancos. Não precisa muita coisa, só um breve passeio e observe durante ele que há, lá dentro destes estabelecimentos, um padrão diferenciado de gente. Repare depois o padrão de gente que anda por fora, nas ruas. Aliás, se você sair demais do perímetro central da cidade, não se assuste, pois você ainda está no Brasil das pessoas bem empregadas. É claro que negros, gordos e pobres também estão empregados, só que em outros padrões de empresas ou na informalidade. Talvez sejam estes os verdadeiros excluídos neste país, pois certamente ocupam uma grande parcela da classe desempregada.
É claro que a discriminação e o preconceito não é invenção brasileira, mas infelizmente dispomos de um belo farnel de hipocrisia neste sentido.
A imposição de vagas nas universidades é um exemplo. Mas nas empresas, quem conserta o problema?
Recentemente, em Porto Alegre, assisti pessoalmente integrantes de uma associação antipreconceito racial discutir com a gerência de uma grande loja de departamentos que o percentual de negros empregados naquele estabelecimento estava decaindo. Mas então, por pressão, havia quotas?
Da boca pra fora somos livres de preconceitos. Mas lá, nos recônditos do nosso caráter, não queremos saber de ter secretárias negras, gordas ou pobres, seja lá a graduação que tiverem...
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