sexta-feira, 25 de maio de 2012

NINGUÉM É SEMPRE LÍDER!

Da série BASTIDORES DO VAREJO, de Sergio Muller
A linha que separa o gênio do louco é o lucro, assim que o ano termina. A última linha do balanço anual é que determina se as estratégias arrojadas, de um ou de outro, poderão ser ditas como geniais ou loucuras.
Assim também se definem se foram líderes ou incapazes, se foram competentes ou ineficazes. Muito se fala e muito se escreve sobre como ser o líder dos novos tempos. Cada qual apresenta versões sofisticadas e adornadas de teorias fantásticas. Grandes gurus da administração e consagrados executivos arranjam, a cada instante, palavras maravilhosas para designar as qualidades necessárias para o sujeito ser o grande líder que as empresas precisam. Visionários, decisivos, contagiantes, dinâmicos, objetivos e mais quaisquer bons adjetivos que estejam no dicionário. É assim, escolha-se qualquer destas palavras e faça uma palestra sobre liderança e você vai ser aplaudido. Siga em frente e, na próxima palestra, adicione mais uma palavra base e aí você já será um sucesso. Sua agenda estará lotada e as portas se abrirão para um novo guru da liderança de uma nova era.
É mais ou menos assim que funciona. Livros, cursos, palestras e grandes teorias só de papel prometem transformar em duas horas um sujeito comum num novo homem.
Até gostaria, mas nunca tive esta certeza. Sempre conservei firme convicção de que os lideres são forjados por seus resultados. Jamais vi alguém que dê prejuízos ser chamado de líder e, o que mais me mostra a experiência, é que muitos daqueles que foram consagradas no lucro, também o foram execrados no déficit. Então me pergunto, se a liderança de um empresário ou de um gerente é permanente, como poderiam ser benditos em um ano e malditos no outro?
A liderança, em conseqüência, parece ter como base, o verbo estar e não o verbo ser. Caberia chamar de líder aquele empresário cheio de qualidades incríveis, que após um ano de grandes estratégias, entregou aos acionistas um resultado vermelho? Sua equipe diria, de formas sublimes, que sentiu uma grande vergonha pelo resultado final, mas que teve um enorme prazer em estar junto a um grande líder?
Certa ocasião, enquanto eu estava na sala de espera do meu dentista, distraía-me folheando uma velha revista. E lá estava, em três páginas um eloqüente destaque a um brilhante diretor de marketing que, no auge de um bom resultado na organização supermercadista em que atuava, dava conta aos quatro ventos, de suas idéias, planos e tudo o mais que estava levando a casa ao sucesso. Mas como eu disse, era uma velha revista… Já faz algum tempo que os executivos daquela rede estão sendo catapultados da empresa em função da maldita linha final. O que eu sei no momento é que ele não mais ocupa as manchetes. Talvez esteja agora ocupado enviando currículos. Dizia ele, naquela velha revista, que um dos motivos para o sucesso deles “era se antecipar ao que os clientes pensavam”. E me cumpre citar que, à época, tivesse eu lido aquela matéria, teria me impressionado com tanta genialidade daquele líder do marketing. Se eu fosse concorrente teria, certamente, entregue a toalha. Teria me conformado que não era possível concorrer com gente que adivinhava o que o pensam os clientes. Lendo hoje, porém, não posso deixar de sentir um pouco de escárnio por tantas besteiras. E não posso deixar de ser corrosivo e indagar porque não previu, a bola de cristal, o fracasso das vendas.
Era um líder com todas as propaladas virtudes. Não é mais um líder com todas as propaladas virtudes.
Como pensar, vendo estas coisas, que os líderes são permanentes?
Tal como a história do ovo e da galinha, ainda não tenho certeza de quem primeiro nasceu, se o líder ou o resultado. Talvez, penso, que o líder estava sendo gestado durante o ano e, no final deste, nascera o resultado. Os analistas olharam, viram os seus lucros e disseram, tal qual o sexo quando nascem crianças: - Mamãe, é um líder!
Para surgir um líder em uma empresa, basta que um conjunto de fatores se agregue e, indiscutivelmente entre eles, boa mercadoria e um custo coerente. Se as pessoas começarem a comprar, outras e outras se juntarão. Se as margens e o desempenho forem mantidos com disciplina, brevemente teremos um líder. Para justificá-lo, relacione a esmo algumas virtudes e rotule no líder e aí teremos um líder com qualidades. Após isto, ele está apto a dar entrevistas de liderança para as grandes revistas, pelo menos até o próximo balanço.

Mande uma mensagem para autor: smuller48@hotmail.com

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