sexta-feira, 25 de maio de 2012

PESSOAS COM PREJUIZOS TRAZEM LUCROS À EMPRESA?

Da série BASTIDORES DO VAREJO, de Sergio Muller
Administrar uma empresa nos tempos de hoje é saber também extrapolar na sua administração em si. É preciso que vejamos formas diferentes de explorar riquezas que, muitas vezes dispostas aos nossos olhos, não são vistas. Existe entre a soleira de nossas portas e os fundos dos nossos negócios, muita coisa inexplorada ainda, ou se exploradas não tanto quanto merecem.
Vamos raciocinar sobre receitas e despesas, este dois fatores tão relevantes e capitais para a lucratividade de um empreendimento, ao mesmo tempo em que vamos entremear estes elementos no contexto da produtividade e da motivação interna do nosso pessoal, os quais são imprescindíveis na busca de resultados.
É notório que uma empresa quando tem um custo de operação maior do que a sua receita, tem as naturais dificuldades de percurso e, se em sequencia apresenta este resultado, começa a sentir sintomas de consequencias muito piores. Qualquer prejuízo, mesmo que mínimo, mexe com os alicerces de uma empresa e se estudarmos as causas deste número e prevermos que eles serão reincidentes, é perfeitamente possível que não trabalhemos mais com tanto ímpeto para atingirmos o lucro, pois desviaremos nosso foco, mesmo que não queiramos, para estancar os problemas num ambiente que se prevê, será conturbado.
Quando a empresa tem resultados inesperados na sua lucratividade é normal que haja um desequilíbrio nas suas estratégias e que os homens que a comandam revejam as táticas e o modo como estão administrando. Se os números estão negativos, algo imediatamente precisa ser feito, pois a crise quando surge não dá lugar a otimismo e, menos ainda, idéias de qualquer expansão. Acaba-se a motivação e a criatividade se concentra na reversão do problema.
Tudo isto não é novidade para nenhum empresário e muito menos para aqueles que já conviveram com o prejuízo.
Antes de qualquer julgamento sobre minhas intenções neste assunto é bom que se diga que esta explanação está apenas servindo de fundo para que se entre naquilo que, afinal como se menciona ao iniciar o capítulo, é inexplorado. E convenhamos, despesas e receitas de empresas é assunto por demais debatido e só nos serve neste momento para lembrar aos empresários como é difícil conviver com as crises. E reconhecido este difícil momento, será oportuno desenvolver o caminho para onde queremos chegar.
Na vida das pessoas acontece algo bem semelhante ao que se passa com as empresas. E para as pessoas físicas, as coisas são muito mais complicadas e desastrosas do que com as jurídicas. As empresas têm faturamentos variáveis e podem lograr, através do estoque e da adoção de estratégias, superar os problemas. As pessoas, no entanto, quase todas, tem rendimentos que, em qualquer mês, é igual, salvo os comissionados.
Sabemos o quanto na vida de qualquer família surgem despesas inesperadas ou gastos desnecessários, os quais fazem com que a receita, no singular, fique menor que as despesas, no plural. E a grande maioria destas pessoas vive permanentemente no prejuízo.
Ora, se os empresários, mesmo com alternativas, se desnorteiam na crise, o que poderíamos esperar da reação das pessoas diante do mesmo problema? Pensaríamos que elas trabalham, diante da crise dos seus orçamentos, com a motivação que espera o empresário? Não estariam elas tão transtornadas e infelizes com a realidade da sua situação financeira?
Esta realidade é desconhecida por quase todos os empresários apesar dela acontecer, sob a sua tutela, diária e permanentemente. Então se cria um grande paradoxo em torno do lucro, pois se pergunta como, na prática do dia-a-dia, pessoas que tem prejuízos e contas a pagar sem soluções imediatas poderiam ser eficientes para trazer lucro ao empresário?
O objetivo de expor estes fatos não é jamais sugerir que os patrões sejam paternalistas e resolvam pagar as contas de seus funcionários, mesmo porque seria utopia pensar. O que se quer alertar é que o paradoxo exposto já está sendo descoberto e resolvido por algumas grandes empresas neste país, as quais perceberam o imenso caudal de problemas que está escondido sob o tapete por onde anda a sua gente.
Parece-nos que estas empresas em determinado momento da sua trajetória perceberam que quando estão tendo lucros são cada vez mais impelidos a tê-los. Perceberam igualmente que este redundante fenômeno funcionaria também com as pessoas e acertaram no alvo.
Ora, se uma grande empresa tem profissionais que resolvem as suas complexas e grandes finanças, porque não poderiam eles também orientar os seus subordinados a resolverem os seus pequenos problemas? Afinal, tanto as empresas quanto o seu pessoal, independente do volume, têm orçamentos e estes só funcionam se bem conduzidos. Se alguém vive do salário recebido de uma empresa, e se este é o seu único valor financeiro de receita, será que simplesmente pagando-o acabaria o compromisso da empresa com ele. Pois algumas empresas estão achando que não e com toda a razão, pois de um modo geral as pessoas não sabem o que fazem com o seu dinheiro. E estas empresas arregaçaram as mangas e resolveram, de forma exemplar, ensinar, colocando como principal atributo nesta missão a de que pessoas sem prejuízos produzem mais e melhor.

O caminho aberto pela área de recursos humanos e com o apoio do setor financeiro sabe-se, é longo, mas certamente, nestas empresas, já foram percorridas grandes distâncias e trouxeram enormes benefícios aos seus funcionários. Há a realização de cursos e palestras sobre orçamentos domésticos e, através das atividades de assistentes sociais, realizam até acompanhamentos individuais acrescendo relevantemente os resultados obtidos.
Pense bem, se um empresário tem um colaborador endividado, sem crédito e com saldo negativo no banco, quem você acha que corre mais riscos? Não é hipocrisia dizer que o maior bem de uma pessoa é a sua própria família e se esta família não vê satisfeita as suas necessidades básicas, há a iminência latente de uma atitude indevida por parte daquele que tem que levar o sustento pra casa.  
Se o empresário o orientar na sua vida financeira, quem você acha que colherá o melhor beneficio? Além do mais, os funcionários percebem o quanto o empresário se preocupa sinceramente com eles e em contrapartida assumem um maior compromisso com uma empresa que sabe ser justa e humana.
As empresas que já estão realizando estes trabalhos junto aos seus funcionários nada têm de assistencialistas, mas compreendem que analisando melhor a realidade social de seus empregados devem ir além da demanda de seus próprios negócios. E exatamente esta é a fórmula inteligente que extrapola a simples gestão de uma empresa. Entenderam eles que entre os diversos motivos que podem abalar as pessoas, não há um pior do que o prejuízo no seu orçamento. Por outro lado, tendo pessoas com seus problemas resolvidos ou amenizados, saberão que os grupos estarão junto com a empresa para o que der e vier.
Vale dizer, para finalizar, que a estratégia está ao alcance de todos. Nenhum empresário precisa ser grande para realizar grandezas desta natureza.  

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