Lá naquela loja da rua principal, o mês está se encerrando, assim como
se encerra para os demais concorrentes...
Porém, lá naquela loja, é muito estranho e, ao mesmo tempo, bastante
comum, o que se passa. Acontece que o mês encerra e, em algumas vezes, a venda
cresce ou batem a meta e, em outras, a coisa decresce e os resultados ficam
aquém de Bagdá...
Eu digo que é estranho porque os donos, ele e a esposa,
passam o dia inteiro no salão de vendas, aliás, passam correndo daqui pra lá e
de lá pra cá. Fornecedores entram e saem com frequência, como se fossem garimpeiros numa mina de ouro. Confesso que, às vezes até acho que eles, os donos, nada mais fazem a não ser isto, correr...
Eles tratam muito bem os funcionários, assim como procuram se relacionar
moderadamente com os clientes que entram e aqueles que retornam. Volta e meia,
ele e ela, ajudam na exposição de vitrinas e na arrumação de mercadorias no
ponto de vendas. Para trazer clientes fazem mídia em TV, rádios e encartes. E
fazem questão de ver a loja limpa e os depósitos arrumados. Pagam aos
vendedores boas comissões e todo o mês tem premiações pra isso e aquilo. Tudo
nos “trinques”, como se diz por aí. Aparentemente...
Pois é, quem vê aquela loja assim deste jeito que estou dizendo, vai pensar
que está tudo azul para o lado deles, não é mesmo? Está enganado quem pensa
isto, pois tem uma coisa que eu não comentei ainda. Lá, colado no vidro da
porta, tem um cartaz que diz com letras garrafais: “Vendo o Ponto”...
Acontece lá, habitualmente assim, que quando o contador traz o resumo
das contas, é sempre uma caixinha da surpresa. Ora dá um lucrinho e, nas outras
vezes, dá um belíssimo rombo nas contas. Estes rombos continuados fizeram o
casal, agora, tomar a sábia decisão de se desfazer do negócio.
A causa do
fracasso, depois de tanto resistirem naquela rua, está, explicada aqui neste
paragrafo. Lucro ou prejuízo não se espera para saber. Um ou outro deve ser
previamente presumido, pois as surpresas no varejo são reservadas para aqueles
que não sabem fazer contas.
Um detalhe superinteressante é que o faturamento daquela loja era aos
olhos dos outros, e aos dos donos, acima da média dos concorrentes. Sempre
havia movimento e até filas nos caixas, às vezes, se formava. Só que, como se sabe, faturamento, por si só, não significa nada... É
muito fácil vender qualquer coisa hoje em dia, basta abaixar os preços ou
esticar os prazos!
Pode-se dizer, baseando-se nas experiências vividas, que o lucro é
decorrência do estudo e o prejuízo é a consequência da falta de tempo.
Desenvolvendo isto, para que não se fique só na metáfora, significa dizer que
quem sabe os números do passado, quem cuida do que, cientificamente, o presente
nos mostra, perfeitamente determinará seu futuro.
Discorrendo mais ainda, pode-se afirmar que quem não tem tempo para ver
os indicadores do seu negócio, põe em risco a sua sobrevivência. Quem não tempo, compra mais do que vende, adquire o que não
precisa. Quem não tem tempo, continua comprando assim desta forma até o momento
em que não mais cabem mercadorias no ponto de vendas, assim como a conta dos
fornecedores fica tomando conta das suas despesas.
E despesas, assim como
receitas, tem que sempre estar numa balança. Se a primeira pesar mais do que a
segunda sucessivamente, o lojista precavido já deveria ir preparando um cartaz
bem bonito, igual a deste casal, para ser colado, dentro em breve,no vidro da
porta...
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