sexta-feira, 25 de maio de 2012

NÃO ACREDITE EM MILAGRES!

Da série BASTIDORES DO VAREJO, de Sergio Muller
Tenho como hilário e inesquecível um curso de liderança do qual participei. A diretora de RH da empresa, na qual eu trabalhava, convidou-me para, junto com ela, participar de um curso que, à época, estava fazendo um sucesso sem precedentes. Pelo menos, era o que diziam os folders do evento.
Pois bem, lá fomos. Eu, principalmente, estava com uma grande expectativa de, após o retorno, ter uma inovadora perspectiva de como ser o grande líder que propalava o curso.
Quando entramos no salão de eventos de um grande hotel em São Paulo, senti aquele pressentimento, que às vezes tenho, de que aquele negócio não ia dar certo. Belas recepcionistas travestidas com roupas tribais africanas nos aguardavam na entrada.
Os homens eram convidados a tirar o casaco e a gravata e a vestir coletes estilos safári. Ornaram nossas cabeças com chapéus de Indiana Jones. Nos envolveram com cinturões apetrechados com facas de plástico e outras bugigangas de sobrevivência. Antes não tivesse tido a péssima idéia de olhar-me no espelho. Senti-me o verdadeiro palhaço que queria ser líder.
Finalmente fomos encaminhados através de um corredor com fumaça artificial, ao som de tambores e gritos de macacos, até chegar a sala do curso.
Dividiram-se os grupos frente a um grande mapa da selva africana na parede. A moral da história simplesmente era uma disputa entre os grupos na conquista de um tesouro num certo ponto da região. Duas intermináveis horas se passaram até que, graças a Deus, um grupo ganhou a relíquia.
Os promotores do curso despediram-se de forma bastante simpática, nos desejando que aquela aventura tivesse sido um grande aprendizado na procura da liderança. A relíquia, em verdade, levaram eles na mala, pois o curso havia custado os olhos da cara. Aos participantes não sobraram nem as fantasias para agradar as crianças em casa.
Com aquele curso posso dizer que aprendi algo bem útil para economizar meu dinheiro. Após sua realização, virei um gato escaldado quando vejo anúncios mirabolantes de cursos ou de palestras.  
Quando vejo que prometem transformar pessoas eu até acredito, pois conseguiram fazer com que eu virasse um sujeito cético e avesso às palhaçadas do gênero…



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