Nunca há consultorias em que o
próprio consultor não aprenda também alguma coisa, ou pelo menos, algo sirva
para um bom assunto futuramente. Na linda cidade de São Luís no Maranhão,
quando eu atuava para uma rede de calçados e confecções, ocorreu uma dessas
coisas simples que, podemos assim dizer, servem para alguma coisa.
Na área de vendas da loja matriz,
no primeiro dia de consultoria, o empresário recebeu a visita de sua filha
adolescente. Logo ao chegar, o pai perguntou-lhe o que fazia ali e ela respondeu, de um jeito bem humorado, que nada tinha para fazer e veio fazer nada na loja.
O pai, carinhosamente, a abraçou e disse-lhe, no mesmo tom brincalhão, que
fosse então visitar algum concorrente, pois certamente o nada poderia ser mais
útil para a empresa da família.
Em resumo ou na moral da
história, a presença de uma pessoa que vem fazer nada numa loja não contribui,
obviamente, com nada nos negócios.
Tempos depois, atuando numa
consultoria para uma rede paulista de Moda Masculina, aconteceu algo semelhante
ao fato que fora guardado na minha memória, aquele da menina do nada... Eu
estava numa filial, distante duzentos quilômetros da sede da empresa, e a
gerente foi visitada pelo Supervisor da Região e mais um Comprador da empresa. Fui
apresentado a eles e trocamos algumas palavras e cada um foi cuidar do seu
oficio. Porém, pelo hábito de aprender os métodos, fiquei observando a
atividade dos dois visitantes, se é que se poderia chamar de atividade aquilo
que eu presenciei.
A princípio, eles deram a
tradicional passeada de louvação pela loja. Algum tempinho depois, o comprador
entregou um relatório para a gerente sobre rotações de estoques e o supervisor
questionou-a se precisava de algum produto em especial e disse-lhe que ela
tinha que trabalhar dobrado para atingir a meta do mês, pois a situação estava
bem complicada. Ainda opinou que a vitrina estava bem promocional e que
faltavam alguns precinhos na exposição, blábláblá, nhém-nhém-nhém... Depois
tomaram um cafezinho no bar da esquina e rumaram, os dois alienígenas, para
outra filial ainda mais distante. Em resumo, ficaram em torno de uma hora e
pouco na loja ocupando o tempo da gerente com pérolas inúteis e subjetivas, em
nada agregando ao resultado da loja. O que fizeram ali poderia ser muito melhor
feito por um simples e-mail.
Como diria aquele lojista do
Maranhão, melhor seria que fossem fazer nada em alguma loja da concorrência.
Não pense o leitor que isto foi
um caso à parte. Não, absolutamente, pois isto é um vicio das grandes redes que
fazem com que pessoas viajem sem critérios e sem objetivos. Simplesmente
cumprem eles, supervisores, compradores e outros “ores”, uma agenda a qual seja
a de mostrar-se presentes, como se suas presenças fossem uma chama divina na
salvação da filial.
Nem se fala no gasto com combustível,
nem no tempo perdido fazendo nada. O que se critica é o planejamento medíocre
dos empresários. Não culpo os viajantes e sim imponho a responsabilidade a quem
os manda saírem à estrada fazendo nada para cumprir tabela...

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