Da série BASTIDORES DO VAREJO, de Sérgio Muller

Do Oiapoque ao Chui há um vírus
que assola os lojistas brasileiros e que os deixa insones. Mês a mês, todo
santo mês, eles comparam a venda de um ano com o outro e o “esperado” acontece.
Para a maioria, houve acréscimo ou decréscimo com mínimos percentuais, mês a
mês, todo santo mês, e assim sucessivamente. Alguns, caso queiram ter mais
preocupações, aprofundam a análise e verificam o índice de lucratividade final.
Ora, o óbvio acontece e o prejuízo aparece. De um ano para o outro, já se tornou
uma praga, a despesa se agita e a receita fica que nem água de poço...
O Instituto de Desenvolvimento do
Varejo informa que, em 2013, o varejo brasileiro cresceu 4,3% e no primeiro
trimestre de 2014, 3,3%. Mas cabe aqui uma pergunta: Qual foi o percentual de
crescimento das despesas? A resposta, óbvia, os lojistas sabem de cor. Então,
não é à toa que tem gente que só fica contando carneirinhos noites afora...
Mas afinal, o que é que está
havendo e que vírus é este?
O que está havendo é que a
concorrência abre trincheiras e avança em todas as esquinas da cidade, rateando
o capital circulante. Se o número de consumidores cresce homeopaticamente e os
concorrentes à velocidade da luz, é lógico que algum efeito vai ter naqueles que estão parados no tempo e, com as mesmas armas de sempre, esperam que algo grandioso aconteça em seu favor. O mercado, decididamente, não é generoso com aqueles que só esperam e esperam...
O vírus que está acometendo os
lojistas chama-se inércia. O problema crônico, que é a causa da consequência, é
que os lojistas continuam fazendo o que faziam há dez anos. Ora, se eles têm a
mesma proposta de mercadorias, o mesmo layout, as mesmas vitrinas e mantem a
mesma rotina do passado, não se pode dizer que estão fazendo por merecer, no
presente e no futuro, um crescimento além da média do mercado. Os consumidores
querem novidades, mesmo aqueles que são fiéis a um lojista. Nem vou alongar que
eles estão mais exigentes ou isso e aquilo. Simplesmente, eles querem algumas
coisas novas que lhes despertem desejos, que lhes atraiam os olhares, um novo
setor no mix, uma promoção interessante, um atendimento diferenciado e
inesperado, uma gerente se relacionando sinceramente, essas coisas que tanto
gostamos, mas que raramente, no entanto, vemos. E quando nada disso eles têm,
cansam e vão procurar se distrair na nova loja da esquina. Talvez lá encontrem
o que há tanto tempo estão esperando.
As vendas, sem que algo seja
provocado, vão continuar estagnadas, esta é a triste realidade. O que fazem os
lojistas, na trivialidade estafante do seu negócio, nada mais é do que esticar
prazos e rebaixar os preços na hora em que o negócio está às moscas.
Eventualmente crescem um pouco nas vendas e afundam definitivamente no lucro.
A vacina para esta epidemia se chama "reinvenção".
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