quinta-feira, 30 de março de 2017
NÃO OLHE SÓ PARA A GAVETA DO DINHEIRO...
Da série
BASTIDORES DO VAREJO, de Sergio Muller.
A Via
Montenapoleone é uma das ruas mais elegantes do mundo. Situada em Milão,
passear por ela é como se estivéssemos infiltrados nos melhores desfiles de
moda do universo. As lojas de Valentino, Versace, Louis Vuiton, Zegna,
Ferragano, Gucci e etc mais etc, deslumbram qualquer pessoa e faz com que elas
se fixem extasiadas frente as suas vitrinas. Aqueles turistas endinheirados
entram e compram. Quem não tem este privilégio, entra, sonha e sai.
Parece existir nos olhos das
charmosas e requintadas vendedoras um raio-X que perpassa nossos bolsos e
antecipa se compraremos ou tentaremos sonhar... Na primeira opção somos
tratados como reis e rainhas. Já na segunda, como laranjas.
E é
assim há muito tempo. Os vendedores destas lojas já aprenderam, e isto é
notório, a identificar os sonhadores. Então o que se vê é algo incrédulo para
os padrões brasileiros. Eles, os vendedores, não dão a mínima atenção para quem
sonha.
Ora, como a frequência de turistas
endinheirados em Milão é uma constante – o setor terciário significa quase 70%
do PIB da Itália e o turismo é a maior fonte disto - porque perder tempo com
aqueles que só sonham?
Pois
assim é. Para quem foi ou para quem vai, a regra é clara: clientes não são
iguais!
Mas
voltando para a nossa valorosa terra tupiniquim, seriam aqui os clientes tão
desiguais como lá?
Pois esta é uma questão que muitos
especialistas, lojistas e muitos outros “istas” estão estudando faz muito
tempo.
Vamos
deixar claro que aqui não há o descaso que existe lá. Aqui ninguém vira as
costas como se vira lá. A questão crucial é: será mesmo?
Antes de responder, que tal deixar os
ponteiros rodar por sessenta segundos e, juntos, pensarmos um pouco...
Observe
esta breve história:
Eu
conheci um velho lojista na fronteira com o Uruguai que permanecia sempre no
caixa. Tinha cadeira cativa naquele local. Na área de vendas ficavam três
funcionárias que vendiam tecidos. Quando o cliente vinha pagar no seu caixa,
ele atendia sempre, mas sempre mesmo, de cabeça baixa olhando a gaveta do
dinheiro. Jamais olhava para o cliente. Certa vez eu o questionei desta atitude
e ele, no seu peculiar desleixo, me disse:
- A
venda já está feita mesmo. É melhor olhar para o dinheiro porque se eu vou
olhar para o cliente, posso errar no troco.
Era um desses lojistas que qualquer
consultor, aliás, qualquer cliente, consideraria um caso perdido...
Mas será
que existiria alguma diferença entre esta história e outra em que
clientes, numa loja de melhor padrão, entram, compram, pagam e vão embora?
Será que o muito obrigado da funcionária do caixa vai fazer diferença?
Será que a vendedora que atendeu e a
funcionária do caixa que recebeu, estariam interessadas no retorno de clientes?
Será que elas, em suas orações, pediriam para que aquele negócio tivesse vida
longa? Quem tem bom senso e experiência já sabe estas respostas...
Então
concluo que o velho lojista, aquele da fronteira com o Uruguai, tem tudo a ver
com lojas dirigidas por pessoas com boas intenções somente. E cá para nós, boas
intenções sem outros ingredientes não resolvem nada. Se há uma coisa
que um lojista não deve jamais delegar é o relacionamento com o seu cliente.
Gerentes
ou donos de lojas que não abordam simpaticamente os clientes que estão dentro
de sua loja também são casos perdidos. Acham eles que os vendedores farão o trabalho
por eles. Pobres coitados, como são iludidos...
E dito isso, quero me arriscar a
afirmar que muitos lojistas de pequeno e médio porte fazem o que fazem aquelas
lojas de Milão. Só que
em Milão tem gente nova a todo dia e a toda hora. Mas e nas nossas cidades, será que a indiferença do
lojista ou do gerente não será percebida? Será que os clientes não devolverão a
indiferença em dobro?
De resto, fica um conselho para o
lojista que tenha se enquadrado no assunto:
Levante os olhos da gaveta do
dinheiro e veja os seus clientes com outros olhos.
quarta-feira, 29 de março de 2017
LOJISTA, EM QUE LUGAR VOCÊ ESTÁ?
Do livro Bastidores do Varejo, de
Sergio Muller
Não há nada pior para um lojista
do que ele ver o concorrente ampliar seus negócios. E ele, que lá está com seu
ponto há tanto tempo e do mesmo jeito, sente um silencioso desconforto.
Até pode ser que ele parabenize o
concorrente, mas com aquele aperto de mão mais falso que uma nota de três.
Você que é lojista procure olhar
o comercio da sua rua de forma mais detalhada. Faça um filme retroativo de como
esta rua tem se alterado durante o tempo. Reveja quem existia e quem existe.
Reveja quem entrou agora ou quem vai embora. Analise os seus conceitos, a sua
inovação ou o seu obsoletismo. Classifique-se, tipo assim de um a dez, que
lugar você ocupa na rua. E também que lugar você ocupava. E mais, que lugar
você imagina que ocupará brevemente. Se você, após refletir isso, sentir uma
profunda inveja dos concorrentes que lhe deixaram pra trás, não se preocupe,
pois pode ser que aí esteja o primeiro sinal de mudança.
A inveja, este maldito pecado,
acredite, pode ser um ótimo combustível para o lojista que parou no tempo
olhando a banda passar, isto é, desde que ele tenha consciência de que o seu
negócio está na inercia. A inercia, como se sabe cientificamente, é algo que
resiste ao movimento, é algo que resiste a ação. Concordando com isso, é justo
que o lojista invejoso tenha provas técnicas de que está neste estado, pois,
para alguns, simplesmente dizer que está inerte só faz com que ele se embaralhe
ainda mais na sua crise pessoal.
A chave que abre a verdade sobre
a inercia para um lojista chama-se, simploriamente, de Crescimento de Vendas.
Se o lojista desconhece o mais básico dos básicos indicadores do varejo ou de
qualquer segmento, ele, digo convictamente, não sabe absolutamente nada de nada
do seu próprio negócio. Mas nem assim é interessante que se desespere, pois
sempre há uma esperança para os que sofrem.
Dito isso e acreditando que o
lojista calcule periodicamente o seu crescimento de vendas, vou dar de bandeja
como os grandes varejistas prosperam analisando o indicador de crescimento de
vendas. Para começar, nada de estabelecer uma meta mensal baseada em outro
fator que não seja um determinado percentual sobre a venda do mesmo mês do ano
anterior. Isso é o que desencadeia todo o resto dos controles.
Sabemos que uma loja é composta
de departamentos, setores, grupos, linhas e itens de vendas. Quando temos, numa
apreciação geral, um crescimento mensal, por exemplo, de 5% sobre o mesmo mês
do ano passado, é extremamente fundamental que o lojista saiba exatamente todos
os crescimentos daquelas partes que compõem o todo. A esta operação os grandes
varejistas chamam de Monitoramento de Vendas, isto é, aquilo que dará o start
de seu Plano de Ações no sentido de reverter resultados. Quando se tem, no
exemplo, um crescimento de 5% em uma loja, é bem provável que entre os
departamentos, setores, etc, existam diversos crescimentos e decrescimentos
diferentes.
Obviamente que, mesmo com um crescimento positivo de 5% no geral, alguns departamentos (setores, grupos, etc) poderão ter comportamentos negativos. E aí, neste momento, é que se estabelecem as Prioridades e os Objetivos. Esta visão, não só da floresta, mas de cada árvore, é justamente o primeiro grande passo para sair da inercia.
Há um detalhe, pra finalizar. Se você só cuida do todo e não observa as partes ou, melhor dizendo, se você não controla a sua loja por categorias e todos os produtos pra você são iguais, esqueça este artigo. Ele é complicado demais para quem ainda trabalha só com intuição.
Obviamente que, mesmo com um crescimento positivo de 5% no geral, alguns departamentos (setores, grupos, etc) poderão ter comportamentos negativos. E aí, neste momento, é que se estabelecem as Prioridades e os Objetivos. Esta visão, não só da floresta, mas de cada árvore, é justamente o primeiro grande passo para sair da inercia.
Há um detalhe, pra finalizar. Se você só cuida do todo e não observa as partes ou, melhor dizendo, se você não controla a sua loja por categorias e todos os produtos pra você são iguais, esqueça este artigo. Ele é complicado demais para quem ainda trabalha só com intuição.
Assinar:
Comentários (Atom)


