Do livro Bastidores do Varejo, de
Sergio Muller
Não há nada pior para um lojista
do que ele ver o concorrente ampliar seus negócios. E ele, que lá está com seu
ponto há tanto tempo e do mesmo jeito, sente um silencioso desconforto.
Até pode ser que ele parabenize o
concorrente, mas com aquele aperto de mão mais falso que uma nota de três.
Você que é lojista procure olhar
o comercio da sua rua de forma mais detalhada. Faça um filme retroativo de como
esta rua tem se alterado durante o tempo. Reveja quem existia e quem existe.
Reveja quem entrou agora ou quem vai embora. Analise os seus conceitos, a sua
inovação ou o seu obsoletismo. Classifique-se, tipo assim de um a dez, que
lugar você ocupa na rua. E também que lugar você ocupava. E mais, que lugar
você imagina que ocupará brevemente. Se você, após refletir isso, sentir uma
profunda inveja dos concorrentes que lhe deixaram pra trás, não se preocupe,
pois pode ser que aí esteja o primeiro sinal de mudança.
A inveja, este maldito pecado,
acredite, pode ser um ótimo combustível para o lojista que parou no tempo
olhando a banda passar, isto é, desde que ele tenha consciência de que o seu
negócio está na inercia. A inercia, como se sabe cientificamente, é algo que
resiste ao movimento, é algo que resiste a ação. Concordando com isso, é justo
que o lojista invejoso tenha provas técnicas de que está neste estado, pois,
para alguns, simplesmente dizer que está inerte só faz com que ele se embaralhe
ainda mais na sua crise pessoal.
A chave que abre a verdade sobre
a inercia para um lojista chama-se, simploriamente, de Crescimento de Vendas.
Se o lojista desconhece o mais básico dos básicos indicadores do varejo ou de
qualquer segmento, ele, digo convictamente, não sabe absolutamente nada de nada
do seu próprio negócio. Mas nem assim é interessante que se desespere, pois
sempre há uma esperança para os que sofrem.
Dito isso e acreditando que o
lojista calcule periodicamente o seu crescimento de vendas, vou dar de bandeja
como os grandes varejistas prosperam analisando o indicador de crescimento de
vendas. Para começar, nada de estabelecer uma meta mensal baseada em outro
fator que não seja um determinado percentual sobre a venda do mesmo mês do ano
anterior. Isso é o que desencadeia todo o resto dos controles.
Sabemos que uma loja é composta
de departamentos, setores, grupos, linhas e itens de vendas. Quando temos, numa
apreciação geral, um crescimento mensal, por exemplo, de 5% sobre o mesmo mês
do ano passado, é extremamente fundamental que o lojista saiba exatamente todos
os crescimentos daquelas partes que compõem o todo. A esta operação os grandes
varejistas chamam de Monitoramento de Vendas, isto é, aquilo que dará o start
de seu Plano de Ações no sentido de reverter resultados. Quando se tem, no
exemplo, um crescimento de 5% em uma loja, é bem provável que entre os
departamentos, setores, etc, existam diversos crescimentos e decrescimentos
diferentes.
Obviamente que, mesmo com um crescimento positivo de 5% no geral, alguns departamentos (setores, grupos, etc) poderão ter comportamentos negativos. E aí, neste momento, é que se estabelecem as Prioridades e os Objetivos. Esta visão, não só da floresta, mas de cada árvore, é justamente o primeiro grande passo para sair da inercia.
Há um detalhe, pra finalizar. Se você só cuida do todo e não observa as partes ou, melhor dizendo, se você não controla a sua loja por categorias e todos os produtos pra você são iguais, esqueça este artigo. Ele é complicado demais para quem ainda trabalha só com intuição.
Obviamente que, mesmo com um crescimento positivo de 5% no geral, alguns departamentos (setores, grupos, etc) poderão ter comportamentos negativos. E aí, neste momento, é que se estabelecem as Prioridades e os Objetivos. Esta visão, não só da floresta, mas de cada árvore, é justamente o primeiro grande passo para sair da inercia.
Há um detalhe, pra finalizar. Se você só cuida do todo e não observa as partes ou, melhor dizendo, se você não controla a sua loja por categorias e todos os produtos pra você são iguais, esqueça este artigo. Ele é complicado demais para quem ainda trabalha só com intuição.

Nenhum comentário:
Postar um comentário