Da série BASTIDORES DO VAREJO, de Sergio Muller
A Via Montenapoleone é uma das ruas mais elegantes
do mundo. Situada em Milão, passear por ela é como se estivéssemos infiltrados
nos melhores desfiles de moda do universo. As lojas de Valentino, Versace,
Louis Vuiton, Zegna, Ferragano, Gucci e etc mais etc, deslumbram qualquer
pessoa e faz com que elas se fixem extasiadas frente as suas vitrinas. Aqueles
turistas endinheirados entram e compram. Quem não tem este privilégio, entra,
sonha e sai.
Parece existir, nos olhos das charmosas vendedoras
e da requintada gerente, um raio-X que perpassa nossos bolsos e antecipa se
compraremos ou tentaremos sonhar... Na primeira opção somos tratados como reis
e rainhas. Já na segunda, como curiosos plebeus...
E é assim há muito tempo. Os vendedores destas
lojas já aprenderam, e isto é notório, a identificar os sonhadores. Então o que
se vê é algo incrédulo para os padrões brasileiros. Eles, os vendedores, não
dão a mínima atenção para quem sonha.
Ora, como a frequência de turistas endinheirados em
Milão é uma constante – o setor terciário significa quase 70% do PIB da Itália
e o turismo é a maior fonte disto - porque se preocupar com aqueles que só
sonham?
Pois assim é. Para quem foi ou para quem vai, a
regra é clara: clientes não são iguais!
Mas voltando para a nossa valorosa terra
tupiniquim, seriam aqui os clientes tão desiguais como lá?
Pois esta é uma questão que muitos especialistas,
lojistas e muitos outros “istas” estão estudando faz muito tempo.
Vamos deixar claro que aqui não há o descaso que
existe lá. Aqui ninguém vira as costas como se vira lá. A questão crucial é:
será mesmo?
Antes de responder, que tal deixar os ponteiros
rodar por sessenta segundos e, juntos, pensarmos um pouco...
Observe esta breve história:
Eu conheci um velho lojista na fronteira com o
Uruguai que permanecia sempre no caixa. Tinha cadeira cativa naquele local. Na
área de vendas ficavam três funcionárias que vendiam tecidos. Quando o cliente
vinha pagar no seu caixa, ele atendia sempre, mas sempre mesmo, de cabeça baixa
olhando a gaveta do dinheiro. Jamais olhava para o cliente. Certa vez eu o
questionei desta atitude e ele, no seu peculiar desleixo, me disse:
- A venda já está feita mesmo. É melhor olhar para
o dinheiro porque se eu vou olhar para o cliente, posso errar no troco.
Ora, se o dinheiro já
está no caixa, na versão daquele senhor, para que perder tempo conhecendo
clientes? Era um
desses lojistas que qualquer consultor, aliás, qualquer cliente, consideraria
um caso perdido...
Mas será que existiria alguma diferença entre esta
história e outra em que clientes, numa loja de melhor padrão, entram,
compram, pagam e vão embora? Será que o muito obrigado da funcionária do
caixa vai fazer diferença?
Será que a vendedora que atendeu e a funcionária do
caixa que recebeu, estariam interessadas no retorno de clientes? Será que
elas, em suas orações, pediriam para que aquele negócio tivesse vida longa?
Quem tem bom senso e experiência já sabe estas respostas...
Então concluo que o velho lojista, aquele da
fronteira com o Uruguai, tem tudo a ver com lojas dirigidas por pessoas com
boas intenções somente. E cá para nós, boas intenções sem outros ingredientes
não resolvem nada. Se há uma coisa que um lojista não deve jamais
delegar é o relacionamento com o seu cliente.
E dito isso, quero me arriscar a afirmar que muitos
lojistas de pequeno e médio porte fazem o que fazem aquelas lojas de Milão: dão
as costas para os clientes!
Só que em Milão tem gente nova a todo dia e a toda
hora.
Mas e nas nossas cidades, será que a indiferença do
lojista ou do gerente não será percebida? Será que os clientes não devolverão a
indiferença em dobro?
De resto, fica um conselho para o lojista que tenha
se enquadrado no assunto:
Levante os olhos da gaveta do dinheiro e veja os
seus clientes com outros olhos.
Contate SERGIO MULLER CONSULTORIAS pelo e-mail: smuller48@hotmail.com

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