quinta-feira, 9 de outubro de 2014

NÃO É SÓ UMA QUESTÃO DE GEOGRAFIA...

Desde crianças ouvimos nossos pais e professores dizerem “não faça isto ou não faça aquilo”, no objetivo que façamos as coisas certas. Sabe-se, desde a infância, que muito mais se aprende com aquilo que não se deve fazer, ou seja, o erro é um excelente caminho para o êxito.

Uma das características deste blog é justamente o de apontar e mostrar muitas histórias de como chegar ao fracasso, de forma que, entendendo isso, se chegue ao caminho inverso.

Porém, não é menos interessante contar experiências de casos bem sucedidos, pois, afinal, existe por aí muita gente que está fazendo a coisa certa.

No interior paulistano existe uma rede de lojas dedicada a vender utilidades domésticas, artigos de cama, mesa e banho e ferragens para o lar. Eles têm trinta e poucas lojas concentradas em apenas seis cidades próximas e de densa população. Então, em média, eles possuem seis filiais em cada uma delas.

Ora, grandes cidades têm bons bairros comerciais e é por aí que eles atuam, pois os bairros são pequenas cidades com vida própria, principalmente se formos considerar o dilema da mobilidade urbana com relação ao seu caótico trânsito. Todo mundo sabe que os consumidores da periferia detestam se deslocar até o centro da cidade para comprar algum suprimento para si ou para o lar. Logo, fincar a bandeira de uma filial num bom bairro é ponto positivo para uma empresa. É a chamada descentralização comercial.
Até aí nada demais, pois estratégias geográficas nos mapas das cidades, muitas redes já estão fazendo e colhendo resultados.

A história que eu quero contar vai um pouco mais longe e é um detalhe significativo para a lucratividade daquela rede. Digamos que seja algo assim como uma cerveja gelada no calor do deserto...

Dissemos anteriormente que os bairros tem vida própria, mas acrescentamos aqui que os bairros ainda não selvas de pedras como os centros urbanos. No centro, as pessoas não se conhecem e a feroz concorrência não deixa com que os consumidores tenham intimidade com os lojistas.

Pois bem, esta rede paulistana, não que tenha descoberto o ovo do Colombo, mostrou claramente para os gerentes de cada uma das filiais, tintim por tintim, todas as potencialidades de um bairro, principalmente como atuar com as pessoas da comunidade no sentido de estreitar a intimidade e as relações.

Ao visitar a filial de um bairro, tive a oportunidade de constatar a riqueza da estratégia. Percebi os clientes cumprimentando o gerente pelo nome e recebendo idêntico tratamento, com aquela simplicidade de antigamente. A gerência tinha mapeado nomes e endereços de pessoas influentes e conhecidas naquele bairro, desde o padre até a presidente de uma associação de terceira idade e, melhor ainda, conhecia-os todos, pois participava frequentemente de eventos, jantares, bingos e reuniões diversas na Associação dos Moradores para melhorias no bairro. Sua gerência extrapolava a soleira da porta e a empresa fazia questão que assim fosse.

Na vitrina da loja, naquele dia, havia um pequeno cartaz de uma campanha para tornar o bairro mais limpo. E mais, a funcionária do caixa estava distribuindo pequenos impressos da venda de pastéis que iria haver na paróquia do bairro no fim de semana. E mais havia desses exemplos que deixo ao leitor que imagine.

Nem precisamos também imaginar o sucesso das vendas e nem necessidade há de se duvidar da fidelidade daqueles clientes. Só nos resta aplaudir e desejar que sempre tenham sucesso!...   

  

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