Recentemente, num intervalo de
uma consultoria, eu conversava com um desses gênios do marketing moderno,
profissional o qual admiro demais. Falava-me ele que havia transformado um
pintor de paredes em palestrante e que num workshop o pintor havia agradado a
plateia com suas ideias sobre atendimento. Eu que sou adepto do ceticismo até a
hora que eu possa ver resultados, fiquei na minha...
Já vi e ouvi tantas coisas do
gênero que, às vezes, a gente sai só admirando a coragem de quem sobe ao
parlatório. Dali para a empresa, resultados nenhum. Lembro que assisti no ano
passado um palestrante, humorista aposentado da TV, que, para um auditório
lotado de lojistas, abordava suas teorias inovadoras, temperadas de humor,
sobre o mesmo tema, atendimento. Passado o encantamento e filtrando duas horas
de assistência, eu e mais duzentos lojistas concluímos que assistir a uma
comédia pelo Netflix teria sido mais barato e proveitoso. Afinal, se é para rir,
é melhor isso ou ir a um circo ver os palhaços.
E o tal assunto com o marqueteiro
foi se desenvolvendo na mesma esteira até que ele despertou a possibilidade de me transformar,
tal qual o pintor de paredes, num palestrante. Ora, era uma possibilidade e até
alimentei esperanças...
Mas o que veio a seguir sepultava
precocemente a minha carreira. Dizia-me ele que eu teria que criar novas
teorias sobre gestão, estratégias, planejamentos, etc, etc e etc, pois, do
contrário, estaria eu fadado ao fracasso. Minha empreitada nem bem começara e
minha empresa já havia quebrado. Conheço bastante sobre mortalidade de
empresas, mas aquela causa tinha sido fulminante.
Mas então, em resumo, as pessoas
querem que se diga a elas aquilo que o meu avô já sabia, mas de uma forma
diferente, como se aquilo fosse a ultima novidade americana em terras
tupiniquins?
Fiquei quase traumatizado ao ver que
os meus trinta e poucos anos de varejo, aliás, sempre conduzidos com lucros acima da média, teriam que ganhar uma
nova roupagem para agradar aos que anseiam por inovações.
Consultores, costumeiramente,
atuam para quem está com a água chegando ao nariz. Eu me lembro de um lojista
nessa situação incomoda, para o qual eu prestava consultoria, que era fervoroso
leitor de gurus americanos e suas novas teorias sobre quaisquer coisas. Quando
troquei informações a respeito de seu negócio, não sabia ele nem quantos
clientes eram ativos em sua empresa. Não sabia ele nem quais as margens finais
de suas linhas de produtos, apesar de ter um bom software à disposição.
Acreditem, casos como o do tal lojista
é uma pandemia por aí nos negócios. Os caras leem Michel Porter, Tom Peters e
Eric Ries com suas excentricidades, mas não sabem as simplicidades de suas
próprias operações...
Eu me atrevo a dizer que as
empresas não estão precisando de novas teorias e sim de profissionais que
ponham em prática as antigas...
E voltando a minha pretensa
carreira de palestrante, quer dizer em miúdos que se eu quisesse ganhar dinheiro
com ela, eu inventaria soluções heterodoxas tornando os problemas complexos?
Não, eu agradeço, mas não sei
mentir...
Antes que eu fuja do contexto,
creio, convictamente, que se o empresário quiser resolver os seus problemas ele
que, como se diz na gíria, “caia dentro” de sua empresa, pois a solução está
entre as linhas de seus números. Assim como num eletrocardiograma, ele que
examine as distorções de seu desempenho, pois, assim como no século passado, a
encrenca está entre a Receita, no meio da Despesa e culminando no seu Lucro.
Se eu tiver que dar palestras,
será do meu jeito original, pois não consigo interpretar papeis diferentes.E para finalizar, arrisco uma
questão para aquele notável publicitário: Será que as velhas teorias não são
por si só, a última inovação do momento?

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