segunda-feira, 20 de abril de 2015

É PRECISO ENCONTRAR UMA CHAVE!


Da série Bastidores do Varejo, de Sergio Muller

Uma das minhas razões de viver, além da família, é, indiscutivelmente, o meu trabalho.

Depois de mais de três décadas como executivo em grandes lojas de departamentos passei a exercer consultorias ao varejo. Não posso dizer que isto é uma terapia, longe daquele stress que antes eu tinha, mas posso afirmar que isso me traz um grande prazer. Poder andar por aí e resolver os intrincados problemas dos varejistas é um exercício eficaz contra a rotina da vida. Independente do porte do cliente ou do tamanho das encrencas, nada mais me assusta, pois, diante da experiência acumulada, habitualmente encontro algumas soluções para melhorar os resultados.

Assim foi como narro nesta historia. Ela, esposa de um competente engenheiro, fugindo da rotina de dona de casa, investiu um bom capital e instalou uma bela loja num ponto de rua de uma cidade gaúcha. Preferiu atuar em duas frentes de confecções, masculina e feminina, e acrescentou linhas de calçados para complementar a sua proposta. Fez um coquetel de inauguração com muitos convidados, anunciou na TV e colocou no jornal, assim como a maioria dos humanos faz.

E assim nossa lojista abriu as suas portas naquela cidade. Todos sabem o quanto é difícil o parto natural de uma loja, todos sabemos o quanto é difícil ficar esperando, dia após dia, que os clientes vejam o quanto são bonitas as mercadorias que compramos. Nos primeiros dias suas amigas lá estiveram e compraram, assim como também apareceram os primeiros clientes em busca de novidades da nova loja.

Passada a euforia do nascimento, a criança foi crescendo e ela, a mãe da criança, foi aprendendo, aos trancos e barrancos, a dolorosa atividade de uma lojista. Ela dizia ao marido que havia perdido a paz que antes tinha. Que dois anos e mais se passaram e ela tinha mais tristezas do que alegrias. E ele ouvia que ela queria o prazer e o status e agora só tinha contas sobre o balcão. Que o dinheiro não sobrava e que tudo empatava. E ele, paciencioso e ocupado com os seus afazeres, dizia pra ela insistir mais um pouco. Ela achava que uma reforma na loja e que trocar algumas vendedoras iria ajudar...

Já haviam sido aconselhados por consultores, mas acharam que eles eram mais triviais e burocráticos do que eficientes e práticos.

Foi neste ponto da história que eu entrei. E tudo que acima está transcrito veio num e-mail do marido da nossa lojista. Achei interessante o apelo e, pela proximidade de nossas cidades, não haveria dificuldades em atender. E durante um ano, periodicamente, eu a assessorei e ganhei também uma grande amiga. Após ter feito um diagnóstico inicial da empresa, elaboramos um plano e implementamos as ações necessárias. A disciplina e a persistência dela em executar o que foi disposto foram fundamentais para o sucesso que veio depois.


Passados dois anos mais, ela, aquela antes estressada dona de uma só linda loja, tem hoje duas lindas lojas na mesma cidade. Virou profissional, virou empresária competente e bem sucedida nos negócios... 

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