
Da série Bastidores do Varejo, de Sergio Muller
Uma das minhas razões de viver,
além da família, é, indiscutivelmente, o meu trabalho.
Depois de mais de três décadas
como executivo em grandes lojas de departamentos passei a exercer consultorias
ao varejo. Não posso dizer que isto é uma terapia, longe daquele stress que
antes eu tinha, mas posso afirmar que isso me traz um grande prazer. Poder
andar por aí e resolver os intrincados problemas dos varejistas é um exercício
eficaz contra a rotina da vida. Independente do porte do cliente ou do tamanho
das encrencas, nada mais me assusta, pois, diante da experiência acumulada, habitualmente
encontro algumas soluções para melhorar os resultados.
Assim foi como narro nesta
historia. Ela, esposa de um competente engenheiro, fugindo da rotina de dona de
casa, investiu um bom capital e instalou uma bela loja num ponto de rua de uma
cidade gaúcha. Preferiu atuar em duas frentes de confecções, masculina e
feminina, e acrescentou linhas de calçados para complementar a sua proposta.
Fez um coquetel de inauguração com muitos convidados, anunciou na TV e colocou
no jornal, assim como a maioria dos humanos faz.
E assim nossa lojista abriu as
suas portas naquela cidade. Todos sabem o quanto é difícil o parto natural de
uma loja, todos sabemos o quanto é difícil ficar esperando, dia após dia, que
os clientes vejam o quanto são bonitas as mercadorias que compramos. Nos
primeiros dias suas amigas lá estiveram e compraram, assim como também
apareceram os primeiros clientes em busca de novidades da nova loja.
Passada a euforia do nascimento,
a criança foi crescendo e ela, a mãe da criança, foi aprendendo, aos trancos e
barrancos, a dolorosa atividade de uma lojista. Ela dizia ao marido que havia
perdido a paz que antes tinha. Que dois anos e mais se passaram e ela tinha
mais tristezas do que alegrias. E ele ouvia que ela queria o prazer e o status
e agora só tinha contas sobre o balcão. Que o dinheiro não sobrava e que tudo
empatava. E ele, paciencioso e ocupado com os seus afazeres, dizia pra ela
insistir mais um pouco. Ela achava que uma reforma na loja e que trocar algumas
vendedoras iria ajudar...
Já haviam sido aconselhados por
consultores, mas acharam que eles eram mais triviais e burocráticos do que eficientes
e práticos.
Foi neste ponto da história que
eu entrei. E tudo que acima está transcrito veio num e-mail do marido da nossa
lojista. Achei interessante o apelo e, pela proximidade de nossas cidades, não haveria
dificuldades em atender. E durante um ano, periodicamente, eu a assessorei e
ganhei também uma grande amiga. Após ter feito um diagnóstico inicial da
empresa, elaboramos um plano e implementamos as ações necessárias. A disciplina
e a persistência dela em executar o que foi disposto foram fundamentais para o
sucesso que veio depois.
Passados dois anos mais, ela,
aquela antes estressada dona de uma só linda loja, tem hoje duas lindas lojas na
mesma cidade. Virou profissional, virou empresária competente e bem sucedida
nos negócios...
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