Da série
BASTIDORES DO VAREJO, de Sergio Muller
Se em
uma loja as vendas de um determinado setor ou grupo representam 10% do total,
espera-se que o estoque deste segmento igualmente represente os mesmos 10%, certo?
Errado! Pelo menos para 80% dos lojistas…
A
experiência tem me mostrado que de cada dez lojistas somente dois tem
conseguido manter este equilíbrio. Coincidência ou não, os 20% que alcançam, ou
quase, este resultado são os que melhor saúde financeira tem nos seus negócios.
Melhores vendas, bom fluxo de caixa, contas em dia e estoques renovados são
alguns dos aspectos positivos obtidos por quem cuida desta relação percentual
das vendas com o estoque. Evidentemente que este cuidado deve estar associado
com uma cobertura coerente de estoque.
Certa ocasião,
um lojista, dono de tres lojas de departamentos no norte paranaense, promovia
um verdadeiro mutirão do pessoal para economizar despesas com luz, telefone,
água, material impresso e, pasmem, até o desperdício de clips tentavam
controlar. É obvio que quaisquer campanhas desta natureza são saudáveis e devem
ser feitas periodicamente até mesmo pra dizer ao pessoal, de forma incisiva,
que o negócio não é gastar.
No
entanto, paradoxalmente, compravam-se produtos à revelia sem os menores
critérios técnicos. O estoque estava inflado e, além disso, com enormes
distorções de volumes setorizados se comparados com a proporção das vendas.
Ora, se o caixa está comprometido com os fornecedores e com os estoques
desnecessários, não serão toneladas de clips economizados que sanearão o
problema!
Vou lhes
dar um exemplo do imbróglio:
A
empresa tinha um setor de Calçados Femininos e Bolsas que participava com 11%
da receita. No entanto as mercadorias deste setor representavam 21 % do
estoque. Por si só, isso já desequilibrava o negócio. Além desta encrenca banal,
o referido setor vinha apresentando margens muito baixas, e não lucrativas, em
função daquelas providências óbvias de quem tem excesso de estoques: promoções
e liquidações. Por exemplo, a Linha de Jeans precisava urgentemente de estoques
em Faixas de Preços mais baixas, mas não havia capital disponível para comprar.
E onde estava o dinheiro? No excesso do estoque do Calçados e Bolsas.
Ao
aprofundar-me no problema, constatei que a compradora – a esposa do empresário
-, como ela própria dizia, era uma apaixonada por calçados e bolsas. E quem não
sabe que compradoras apaixonadas são fascinadas por malas de representantes?
Mulheres sempre tiveram um frisson por estes produtos, mas se espera que não exagerem,
pois, pelo que parecia, suas clientes não tinham tanta paixão quanto ela.
Disse-lhe então, claramente, que paixões como aquela fulminam não o coração,
mas sim o balanço da empresa. Mostrei-lhe, de forma cientifica, os números e o
prejuízo causado.
Não
custa nada lembrar que este tipo de procedimento por parte de quem compra é um
prato cheio para a ambição dos fornecedores. O irônico é que, naquele mesmo
dia, dois fornecedores de calçados estavam agendados para que ela atendesse.
Naquelas alturas do campeonato, rezei para a que a paixão tivesse esfriado.
Então,
sobre este contexto, vai uma dica bem importante e que, talvez, seja de grande
valia para os lojistas. No próximo balanço, ao saber do seu estoque
– espero que sejam feitos por setores – separe os valores e calcule
respectivamente o percentual de cada um na participação do negócio. Depois
compare quais as participações que cada um tem na venda. Diagnostique e parta
para a ação equilibrando o seu financeiro. Já antecipo que vai demorar pra
botar as coisas no eixo, mas lembre-se: O dinheiro que você quer não está no
banco e sim no seu próprio estoque.
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