Da série BASTIDORES DO VAREJO, de
Sergio Muller
Se há um assunto, entre lojistas, que
causa grande interesse é a forma com que se compra dos fornecedores. Cada um
tem um jeito, cada um tem um sistema, ora copia dos outros e por aí vai. Muitas
redes de pequeno ou médio porte se orientam pelos recebimentos futuros para
estabelecer suas quotas. E também existem aqueles que compram conforme aparecem
as boas oportunidades, quando, às vezes, nem sequer precisam daquele estoque,
mas se é barato, quem sabe não dá certo...
Tenho visto muitos jeitos e,
sinceramente, a maioria ainda não despertou para compras através da rotação,
giros ou coberturas de estoques. Pergunte-se como que os grandes grupos varejistas
(Renner, Riachuelo, Marisa, C&A, etc) estão sempre com suas araras lotadas
de novidades. Não lhes parece que estas lojas renovam as mercadorias toda
semana? Pode ter certeza que não é só o dinheiro que sobra a eles que lhes
proporciona tamanha organização. Alías, a organização deles é que fez com que,
primeiro, lhes sobrasse dinheiro. Você não tem curiosidade de saber como estas
redes, ano após ano, só tem resultados azulados? Você não gostaria, respeitando
a proporcionalidade, de ter o mesmo êxito destes caras?
Olhe agora mesmo para o seu estoque e,
numa passada de olhos, veja quanta coisa obsoleta você tem. Veja a quantidade
de mercadorias de coleções passadas e calcule o percentual de lançamentos ou
novidades que há em seu estoque. Posso apostar que o resultado não lhe agrada
muito. E você sabe melhor do que ninguém que o que vende em sua loja é a
novidade. O resto só vende quando você passa uma tesoura nos seus preços...
Então, diante de sua expectativa,
acompanhe algo que dificilmente você encontra por ai dando canja, mesmo em livros
técnicos de compras.
Você gostaria de saber qual o sistema
que as grandes corporações varejistas utilizam para comprar? É claro que quer,
pois você sabe que eles têm sempre um estoque abotoado, “novinho em folha” e de
fazer inveja a qualquer lojista. Além do mais, você que já andou pelas lojas
deles, sabe que os produtos deles são tão bons que se vendem sozinhos e que
vendedores lá são coisas quase do passado. Se os clientes enchem sacolas sem
ninguém por perto vendendo, se não falta numeração, cor ou tamanho é prova de
que existe um grande planejamento por trás. Nenhum produto está ali sem motivo
ou na base da emoção.
Pois bem, para ter este privilégio,
saiba que eles, com algumas diferenças, usam o sistema de Rotação ou Giro de Estoque para determinar o que denominam de Planejamento
Financeiro de Compras. Este documento ou relatório - a bíblia do varejo
deles - é a alicerce de tudo o mais que se constrói lá dentro. O que
impressiona é que este artificio, tão fundamental, raramente é usado pelos
pequenos ou médios lojistas, como se o tal planejamento fosse, será que não, a
fórmula da Coca-Cola.
Vamos fazer um exercício? Pegue um setor, depois pegue outro e, por fim, calcule o global, pois aqui está a receita, passo a passo, desta tal Rotação de Estoque:
Faça o seguinte cálculo:
1 - Valor Financeiro do Estoque a
Custo (tem que ser a custo) de cada um dos últimos dois meses
2 - Some os dois valores dos estoques
e divida por dois. O resultado será o Estoque Médio.
3 - Valor da Venda a Custo (tem que ser a
custo) do último mês
4 - Divida o valor do Estoque
Médio pelo valor da Venda a Custo
5 - O resultado será o índice que
chamamos de Rotação ou Giro de Estoques
Exemplificando, digamos que o
seu estoque médio a custo é de R$ 600.000,00 e a sua venda
a custo no último mês foi de R$ 150.000,00, então você tem uma Rotação
(ou Giro) de Estoque com índice de 4,0. Este índice significa
que você tem estoque para quatro (4) meses. Simples, não? Quanto mais alto o
índice, mais estoque em excesso você tem e mais capital você está empregando
sem necessidade. Em resumo, quanto menos estoque acumulado e envelhecendo, mais
você vende. Menos é mais...
A Rotação ou Giro ideal
é definido pelo lojista de acordo com o mix de sua operação e conforme as
regras e qualidade de entrega de seus fornecedores. Por exemplo, lojistas
enxutos que atuam com confecção preferem ficar com giros até 2,0 (dois meses)
de estoque. Já quem atua com calçados tende a ter giros um pouco mais altos
principalmente em função de numeração.
Sabendo o índice global da loja, o
lojista parte imediatamente para ter também os índices de rotações por setores,
pois desta forma ele conhece imediatamente as distorções em seus estoques.
Estes parâmetros é que servirão para a elaboração do Planejamento
Financeiro, pois para cada setor, observando-se a rotação, haverá uma quota
mensal de compras determinada para manter o equilíbrio do estoque.
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