terça-feira, 21 de abril de 2015

QUANDO MENOS É MAIS...

Da série BASTIDORES DO VAREJO, de Sergio Muller
Se há um assunto, entre lojistas, que causa grande interesse é a forma com que se compra dos fornecedores. Cada um tem um jeito, cada um tem um sistema, ora copia dos outros e por aí vai. Muitas redes de pequeno ou médio porte se orientam pelos recebimentos futuros para estabelecer suas quotas. E também existem aqueles que compram conforme aparecem as boas oportunidades, quando, às vezes, nem sequer precisam daquele estoque, mas se é barato, quem sabe não dá certo...

Tenho visto muitos jeitos e, sinceramente, a maioria ainda não despertou para compras através da rotação, giros ou coberturas de estoques. Pergunte-se como que os grandes grupos varejistas (Renner, Riachuelo, Marisa, C&A, etc) estão sempre com suas araras lotadas de novidades. Não lhes parece que estas lojas renovam as mercadorias toda semana? Pode ter certeza que não é só o dinheiro que sobra a eles que lhes proporciona tamanha organização. Alías, a organização deles é que fez com que, primeiro, lhes sobrasse dinheiro. Você não tem curiosidade de saber como estas redes, ano após ano, só tem resultados azulados? Você não gostaria, respeitando a proporcionalidade, de ter o mesmo êxito destes caras?

Olhe agora mesmo para o seu estoque e, numa passada de olhos, veja quanta coisa obsoleta você tem. Veja a quantidade de mercadorias de coleções passadas e calcule o percentual de lançamentos ou novidades que há em seu estoque. Posso apostar que o resultado não lhe agrada muito. E você sabe melhor do que ninguém que o que vende em sua loja é a novidade. O resto só vende quando você passa uma tesoura nos seus preços...

Então, diante de sua expectativa, acompanhe algo que dificilmente você encontra por ai dando canja, mesmo em livros técnicos de compras.

Você gostaria de saber qual o sistema que as grandes corporações varejistas utilizam para comprar? É claro que quer, pois você sabe que eles têm sempre um estoque abotoado, “novinho em folha” e de fazer inveja a qualquer lojista. Além do mais, você que já andou pelas lojas deles, sabe que os produtos deles são tão bons que se vendem sozinhos e que vendedores lá são coisas quase do passado. Se os clientes enchem sacolas sem ninguém por perto vendendo, se não falta numeração, cor ou tamanho é prova de que existe um grande planejamento por trás. Nenhum produto está ali sem motivo ou na base da emoção.

Pois bem, para ter este privilégio, saiba que eles, com algumas diferenças, usam o sistema de Rotação ou Giro de Estoque para determinar o que denominam de Planejamento Financeiro de Compras. Este documento ou relatório - a bíblia do varejo deles - é a alicerce de tudo o mais que se constrói lá dentro. O que impressiona é que este artificio, tão fundamental, raramente é usado pelos pequenos ou médios lojistas, como se o tal planejamento fosse, será que não, a fórmula da Coca-Cola.

Vamos fazer um exercício? Pegue um setor, depois pegue outro e, por fim, calcule o global, pois aqui está a  receita, passo a passo, desta tal Rotação de Estoque:
Faça o seguinte cálculo:

1 - Valor Financeiro do Estoque a Custo (tem que ser a custo) de cada um dos últimos dois meses 
2 - Some os dois valores dos estoques e divida por dois. O resultado será o Estoque Médio.
3 -  Valor da Venda a Custo (tem que ser a custo) do último mês
4 - Divida o valor do Estoque Médio pelo valor da Venda a Custo
5 - O resultado será o índice que chamamos de Rotação ou Giro de Estoques

Exemplificando, digamos que o seu estoque médio a custo é de R$ 600.000,00 e a sua venda a custo no último mês foi de R$ 150.000,00, então você tem uma Rotação (ou Giro) de Estoque com índice de 4,0. Este índice significa que você tem estoque para quatro (4) meses. Simples, não? Quanto mais alto o índice, mais estoque em excesso você tem e mais capital você está empregando sem necessidade. Em resumo, quanto menos estoque acumulado e envelhecendo, mais você vende. Menos é mais...

Rotação ou Giro ideal é definido pelo lojista de acordo com o mix de sua operação e conforme as regras e qualidade de entrega de seus fornecedores. Por exemplo, lojistas enxutos que atuam com confecção preferem ficar com giros até 2,0 (dois meses) de estoque. Já quem atua com calçados tende a ter giros um pouco mais altos principalmente em função de numeração.

Sabendo o índice global da loja, o lojista parte imediatamente para ter também os índices de rotações por setores, pois desta forma ele conhece imediatamente as distorções em seus estoques. Estes parâmetros é que servirão para a elaboração do Planejamento Financeiro, pois para cada setor, observando-se a rotação, haverá uma quota mensal de compras determinada para manter o equilíbrio do estoque.

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