quinta-feira, 23 de julho de 2015

NÃO ADIANTA ENFEITAR...

Da série BASTIDORES DO VAREJO, de Sergio Muller.

Steve Jobs e Apple, Bill Gates e Microsoft.
Qual a importância destas associações para quem tem uma empresa? Se você tem uma empresa e pensa unicamente na sua atividade em si, tipo assim comprar e vender, então você  não explora a sua marca pessoal, não é mesmo? Ou, pior ainda, se você não explora nem mesmo a marca de sua empresa, seja bem-vindo ao grupo dos lojistas que vendem produtos e preços e adoram clientes oportunistas.

Ao longo do meu trabalho com consultorias ao varejo, vejo estes filmes repetidamente, não só por parte dos lojistas, mas também através daqueles que o assessoram em sua comunicação com os clientes. Preço e Produto, Produto e Preço e alguns “enfeites” pensando que aquilo fará diferença com a concorrência. Diria que eles ainda têm sorte, pois a dita concorrência também não se diferencia em nada e temos, então, um mercado em que a farinha é tudo do mesmo saco.

Ora, sabemos atualmente que os produtos que existem em uma loja são uma espécie de commodities. Marcas de renome, tipo assim Nike, Adidas, Ellus, etc e etc, resguardadas as espécies, são a mesma coisa que soja, isto é, todo mundo tem e as únicas opções são marcar muito e vender pouco ou marcar pouco e vender muito. Entenderam até aqui?

A marca é o ativo mais valioso de uma empresa, tipo assim a Apple. Imagine se a esta marca se agrega outra marca, tão ou mais importante que ela, tipo assim a marca pessoal de Steve Jobs. Precisa dizer mais alguma coisa? Há algo a contestar?

Voltemos então ao nosso lojista de médio e pequeno porte, aquele do preço e do produto, aquele que enfeita a loja, enfeita o anuncio, enfeita o folder, enfeita o uniforme do pessoal... A questão com ele é quando ele vai compreender que ele próprio pode ter sua marca. A questão com ele é quando ele vai valorizar a marca de sua empresa. Isto, por incrível que pareça, é a parte mais árdua de uma consultoria. Infelizmente, o fracasso é parceiro de quem não faz nada diferente do que o vizinho faz, porque a inovação é uma afronta para os acomodados. Há que mudar a coisa mais complicada das pessoas, a mentalidade.

Ora, em um mundo em que os produtos viraram todos iguais e que poucos têm a exclusividade em algumas coisas, é natural que as margens de lucro sofram pressões. Então é natural que aqueles lojistas bem sucedidos tenham pensado, antes que os fracassados, que a fidelidade do cliente, no seu planejamento estratégico de marketing, ocupava um papel prioritário.

Pensemos de maneira radical e evitemos as complexidades teóricas do marketing. Primeiro, reconheçamos que não há, e nem nunca houve, fidelidade total de alguém. Dito isso, afirmo que para obter, pelo menos, a fidelidade parcial dos clientes é preciso que o lojista se livre do maldito complexo de vira-latas, o qual lhe tolhe a ousadia de surpreender o consumidor.

A fidelidade começa por ter um padrão que seja reconhecido, seja por uma atitude gerencial, seja por um “splash” num material gráfico de vendas. A fidelidade começa quando há objetivos sistemáticos em ser diferente para o cliente, em lhe apresentar algo novo, algo que crie intimidade pessoal, algo que ele veja realmente um valor. A fidelidade não começa quando você promete que o cliente terá o melhor atendimento na loja. A fidelidade começa sim quando ele tem realmente o melhor atendimento na loja. A fidelidade se consagra quando o cliente, por fim, conhece um gerente, se relaciona com o gerente e, mais consagrador ainda, sabe que este gerente poderá lhe ajudar sinceramente. A marca registrada, isso é do que eu falo.

É claro, existem programas e softwares que estudam, premiam frequências e outras vantagens, mas, obstante o valor desta tecnologia, não será ela que vai modificar o contexto se a gerencia não entender o valor de sua influencia pessoal ou o da marca da sua empresa.


Se a gerencia quiser dar o primeiro passo, comece por entender o Ativo e o Inativo da carteira de clientes do seu crediário. Quando ele constatar que não conhece pessoalmente os seus melhores clientes, pode ser que a ficha caia...

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