Da série Bastidores do Varejo, de Sergio Muller
Certa ocasião, um lojista,
dono de uma grande loja de confecções no extremo sul do país, promovia um verdadeiro
carnaval de economia em seu negócio. Cartazes internos incitando seu pessoal a
poupar água, luz, materiais de escritório, etc e tal. Até mesmo havia um
exemplo de quanto custava uma folha A4 e o quanto economizariam se tantas folhas não fossem desperdiçadas
e quantas arvores seriam salvas se fossem economizadas tantos quilos de
papel...
É justo que se façam
campanhas assim, pois realmente conscientizam a equipe a preservar o dinheiro
da empresa. Afinal, dinheiro não sai da torneira...
Cumprimentei o lojista pela
iniciativa e me disse ele que tinha sérios motivos para conter os gastos.
Enfrentava o nosso econômico comerciante uma crise severa já há algum tempo e
ele já estava achando que tinha pouco tempo de vida naquela rua..
.
No entanto, paradoxalmente,
compravam-se produtos à revelia sem os menores critérios técnicos. O estoque
estava inflado e, além disso, com enormes distorções de volumes setorizados se
comparados com a proporção das vendas. Ora, se o comprometimento do caixa com
aquilo que se tem a pagar é com os estoques desnecessários, não serão toneladas
de clipes economizados que sanearão o problema!
Vou lhes dar um exemplo do
imbróglio em mais uma história real de lojistas:
A empresa tinha um setor de
Calçados Femininos e Bolsas que participava com 5% do total das vendas. No entanto o estoque de mercadorias deste
setor representava 14% do geral. Por si só, este setor já desequilibraria
muitos outros porque ele tinha cerca de três vezes mais de capital além do
necessário, os quais faltariam para investir onde fosse preciso. Além desta
encrenca fundamental, o referido setor vinha apresentando margens muito baixas,
e não lucrativas, em função daquelas providências básicas de quem tem excesso
de estoques: promoções e liquidações.
Ora, estes fatores são
simplesmente o fogo e o tridente para que tudo na empresa se transforme no
inferno. Dinheiro jogado pela janela nas compras e lucro desperdiçado nas
margens...
Quando um empresário
liquida seus estoques frequentemente não é pra agradar a freguesia. E pra
tentar reduzir um pouco as besteiras que ele fez comprando em demasia, dá-lhe liquidação fora de hora. Quando no
banner que ele pendura na vitrine está dito “Direto da Fábrica, Grandes Ofertas”
qualquer cliente traduz para “Pelo Amor de Deus, Compre Agora, Preciso Pagar a
Fábrica”.
Varejistas que não planejam
suas compras baseados na realidade, jamais terão sucesso. O que terão é
esperança e por pouco tempo. Enquanto isso, é melhor economizar papel!

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