sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

LOJISTAS E VAREJO SERGIO MULLER: DESCULPE, ESTAMOS FECHADOS!

LOJISTAS E VAREJO SERGIO MULLER: DESCULPE, ESTAMOS FECHADOS!: Da série Bastidores do Varejo, de Sergio Muller. Lembro-me de um fato que, em poucas palavras, determina a sonolência do lojista com s...

DESCULPE, ESTAMOS FECHADOS!

Da série Bastidores do Varejo, de Sergio Muller.

Lembro-me de um fato que, em poucas palavras, determina a sonolência do lojista com seus clientes. Uma de minhas filhas comprava há um ano e meio em uma filial de uma conhecida rede de lojas de moda casual. O que a atraía era o estilo jovem e arrojado do mix de produtos.

Durante este tempo como cliente jamais recebera algum tipo de contato, mensagens, whatsapp, e-mails, telefonemas, tabloides, cartões de felicitações, etc e etc. Na loja, era atendida por uma vendedora sempre solícita. Até aí, tudo corria bem e ela estava, por assim dizer, também indiferente, porém satisfeita.  Só que, certo dia, ela recebe um telefonema da gerente da tal loja lhe cobrando uma prestação que havia vencido há dois dias. Respondeu ela:
 - Tudo bem, foi um esquecimento e eu passarei hoje para pagar.
Chateada com seu atraso, porém decepcionada com a ocorrência, foi obrigada a ironizar e perguntou à gerente:
- Escute, com o restante dos cinco ou seis carnês que eu tenho aí, está tudo certo?

Pois é, depois de tanto tempo como uma excelente cliente, a loja lembra-se, ou arranja tempo, de fazer um contato, mas de uma forma infeliz. Nem se precisa dizer que perderam a cliente na hora, não evidentemente pela cobrança, mas muito provavelmente pela cliente ter se flagrado de que ela, até aquele momento, não recebia o valor que merecia. Ora, é inadmissível que uma gerente tenha tido tanto tempo para selar a intimidade com uma cliente e quando a conhece, e ainda assim por telefone, o faz para cobrar-lhe uma conta. Complementando o caso, a minha filha não recebeu, após a sua deserção como cliente, nenhum pedido do tipo “volte, estamos com saudades de você”!

Certa ocasião, ao encerrar um dia de consultoria, perguntei à proprietária de uma pequena loja, quantas clientes haviam entrado no seu estabelecimento. Disse-me ela que haviam entrado poucas, “mais ou menos umas trinta, pois a venda tinha sido muito baixa”. Pressionei-a por mais respostas e confessou-me ela que das “mais ou menos trinta” só conhecia “umas três”. No entanto, nem dessas três ela tinha informações detalhadas, quanto mais das “mais ou menos vinte e sete”. Perguntei se ela estava satisfeita com as vendas e me rebateu afirmando, sem vergonha nenhuma, que estava com muita vontade de vender o ponto, pois as receitas não estavam cobrindo as despesas. Não era de graça o comentário, pois lojas iguais aquela estão por aí quebrando às centenas, uns dizendo que é problema de ponto, outros que é a concorrência e mais uns que atiram a culpa sobre os impostos e por ai se vão às evasivas.

E aquela proprietária que se conforme, pois não estará sozinha nesta desgraça e pode ter ela a certeza que muitos outros “infortunados” estão, neste momento, botando cartazes nas vitrines “vendendo o ponto” ou sugerindo que os clientes “aproveitem porque vai fechar”. Quer admitam ou não, sem dourar a pílula, tudo isto é prova de pura incompetência no trato com a clientela, aliás, o fechamento é a resposta indireta dos clientes ao lojista, do tipo “se você não sabe me conquistar, então feche esta maldita porta!”.


smuller48@hotmail.com

domingo, 31 de janeiro de 2016

AMARRANDO CACHORROS COM LINGUIÇA?

Da série BASTIDORES DO VAREJO, de Sergio Muller.
Leio um fragmento – Jornal do Comercio – de uma saudosa entrevista de um lojista da Rua do Ouvidor, Rio de Janeiro na década de 50. Dizia o filho do pioneiro que “[…] quando o meu pai via que as vendas iam de mal a pior, juntava todos os “cacarecos” da loja que estavam encalhados e socava tudo na vitrine. Meu irmão e eu então fazíamos enormes cartazes com cartolinas e baixávamos os preços pra valer. Pendurávamos serpentinas, papel picado e fazíamos um carnaval na vitrina…”
Alguma coisa aí faz você lembrar-se dos tempos atuais?
Pois é, isso acontecia na época em que se amarrava cachorro com linguiça e pouca coisa mudou no varejo atualmente. Muitos lojistas, parados no tempo, ainda continuam insistindo nestas ladainhas… É bem provável que mais um século mude e eles continuem fazendo carnavais na vitrina, tal qual se fazia em 1950 e poucos.
 Para que se faça justiça, reconheçamos que esta prática não se aplica mais aos grandes varejistas do país. Aí o leitor lojista vai perguntar:
 – Sim, mas porque não se aplica e eles?
Ora, é muito simples, se eles são grandes é porque, justamente, deixaram de praticar este arcaísmo…
Aprenderam eles que o que motiva um comerciante a ter “cacarecos” encalhados na loja é comprar mais mercadorias do que a real quantidade de demanda. Em resumo, quando entra mais mercadoria do que sai, o resultado é uma pilha de produtos obsoletos e desatualizados no estoque. A consequência é, obviamente, enfiar tudo numa vitrina e colocar cartazes dizendo “grandes ofertas para você” ou, numa mentira muito maior ainda, afirmar que “fizemos uma grande parceria com os fornecedores e baixamos os preços para você”.
Lembro-me de uma historia bastante engraçada contada por um fundador de uma grande rede varejista do sul do país. Por ocasião da reunião do Conselho Diretor daquela organização, ele acompanhou a visita de alguns acionistas ao Centro de Distribuição. Lá se depararam eles  com um volume estrondoso de pratos de porcelanas brancos. Os acionistas, perplexos, então perguntaram a ele:
– Nossa, mas como se vende pratos brancos nesta empresa!
E ele então respondeu:
– Não, não vende tanto, quem vende bem mesmo é o representante desta indústria de porcelanas!
Ora, quando se tem demais e se vende de menos e ainda, para complicar, se sofre com o fluxo de caixa, é claro que você vai aplicar o golpe da parceria com os fornecedores. A péssima noticia é que os clientes não são mais aqueles de 1950…
Temos que admitir que, se a primeira reação de um lojista, diante de maus resultados, é usar esta estratégia do tempo da tramela, ele ainda está amarrando cachorros com linguiça. Então, meu nobre lojista, pare de ser pequeno a passe a agir como se fosse grande. Compre não mais do que o necessário para o futuro e saia imediatamente do passado.

Contatos pelo email: smuller48@hotmail.com


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

NÃO CRIE MONSTROS EM SUA EMPRESA!

Da série Bastidores do Varejo, de Sergio Muller
Em alguma empresa, neste exato momento, um empresário, sem saber e sem querer, pode estar colocando em gestação algum monstro. Como se sabe, numa empresa existe o medíocre, o mediano e o acima da média, e é nesta última carreira que está o óvulo que vai incubar o filhote. Mas, afinal, que monstro é este que será parido na empresa? Para os empresários bem calejados não há nada novo na resposta, mas sempre existirão os incautos e é para eles que escrevo especialmente este artigo. Acompanhem.
O ego do ser humano fica incontrolável quando inflado e, por menos que ele queira, representa um perigo tanto para ele quanto para a empresa. É claro que para o gestor, o elogio, tal como a crítica, faz parte do cotidiano e as doses de um ou de outro deveriam ser criteriosamente administradas, mas, infelizmente, não o são. O certo seria é que fossem dosados pela lógica da homeopatia, evitando os efeitos colaterais.
Na prática das empresas, os medíocres e os medianos estão mais na linha de tiro das criticas e sobram aos acima da média o estoque dos elogios e aí é que mora o perigo, pois o empresário, na ânsia de incentivar resultados, deixa de ver claramente que a tarefa bem feita, na realidade, não passa de obrigação. Inflando o ego de alguns na expectativa da continuação dos bons desempenhos, o empresário compromete o processo de parceria interna entre o grupo, pois o elogiado em demasia acaba por isolar-se no seu orgulho, deixando de contribuir com o coletivo. Quanto mais adulado mais cresce a probabilidade do sujeito, antes uma solução, virar um transtorno, pois a arrogância e a prepotência nele instaladas vão, fatalmente, culminar na sua saída da empresa. O filme não é novidade para os mais experientes e melhor seria que todos em uma empresa fossem sempre coadjuvantes, pois a cada vez que um é alçado à protagonista já se prevê o final da história. 
Quando uma criança enche um balão ao máximo só resta que ele voe, estoure ou, mais tarde, esvazie. Nos bastidores de uma empresa, traduzindo, significa que um profissional inflado em seu ego está pronto para ir embora ou, permanecendo e na impossibilidade de ser mais inflado, comece a frustrar-se internamente. O excesso da exaltação pode virar uma catástrofe e transformar um bom profissional num grande problema. A sua vaidade ao exigir espaços constantes começa a afetar o ambiente da casa e até mesmo aos olhos dos medíocres e medianos, antes admiradores, o “balão inflado” passa a ser o alvo preferido das alfinetadas dos corredores.
Atuei com um presidente de um grande grupo varejista, o qual ficava indignado quando seus diretores carregavam demais nos elogios a uma gerência. Dizia abertamente a estes que “vocês vão estragar o cara” e era só pagar para ver, pois não demorava a que este ficasse contaminado pela bazófia. E as conseqüências logo apareciam, pois se há algo nefasto na administração de uma empresa, será aquele sujeito que é divinizado por ela. Nada contra os deuses e sim contra a bajulação exagerada. Complementava aquele presidente, com base em sua experiência, que devíamos ser comedidos nos elogios e, se os fizéssemos que fossem para enaltecer o que foi feito e não a quem o fez, ou seja, elogiar a ação e não o sujeito. No fundo, uma forma inteligente de evitar, ou postergar, que o profissional se autodestruísse na empresa e que prejudicasse o desempenho do todo.
É fácil perceber, por mais irônico que pareça, que as estrelas luminosas de hoje nas empresas, serão amanhã cadentes e problemáticas. E pior do que ter um monstro será ter dois. Quando um empresário cria um monstro, creiam que, pela lógica e pelo hábito, outro será criado e, em conseqüência, conforme Newton, dois corpos não poderão ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo. Isto significa que dois egos inflados serão responsáveis por grandes escaramuças na busca do trono e dos holofotes. Talvez comece aí, na busca do poder e do prestigio, a famosa criação das tribos hostis nos bastidores das empresas.
Sem hipocrisia, se um empresário quer mesmo conservar um gênio talentoso na empresa, será bom que ofusque, ao máximo de tempo, o seu brilho. E para evitar que o mesmo se sinta desvalorizado e reclame o reconhecimento, será bem conveniente, no final de um ano de bons resultados, gratificá-lo com um ótimo extra no bolso. Digam o que quiserem os psicólogos de plantão que defendem as teorias do mérito, mas ainda não inventaram algo melhor do que inflar a conta no banco. E ponto final. 
Leia também o blog do mesmo autor: https://vendasvarejo.wordpress.com/

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

A PRESSÃO NA GESTÃO...


Da série Bastidores do Varejo, de Sérgio Muller 
Muito antes de Denis Papin, em 1679, ter inventado a panela de pressão, a pressão já existia. Os motivos que levaram o inventor a criar a panela, eram os mesmos, tempos depois, daqueles que revolucionaram as indústrias e outros negócios. Todos queriam resultados mais rápidos, econômicos e eficazes. Nada melhor do que a pressão, indiscutivelmente...
E eles fizeram escola. Convenhamos que hoje, nada mais que não tenha pressão, funciona. Em qualquer negócio, em qualquer gestão, em qualquer operação.
Certa ocasião, um gerente de departamento de uma grande empresa confessava-me que não suportava mais tanta pressão. Afirmava, nas suas confidências, que não conseguia mais ter noites de sonos tranquilas. Acordava na madrugada e sentava à beira da cama, num desespero completo. Temia, sob todos os aspectos, o temperamento do seu superior. Muitas vezes, aguardava um agradinho do chefe, mas recebia um direto no queixo. Em outras, o inverso. A objetividade do chefe era direta e rápida, encurtando diálogos e decidindo questões problemáticas em frações de minutos. O cara não conseguia compreender os motivos daquela conduta e ele era atormentado pela intercalação sistemática das reações que vinham de cima. Tinha plena convicção que seu chefe era o Machiavel encarnado, mas reconhecia, entretanto, que o sujeito pensava alguns anos à frente. Talvez, por isso, não lhe sobrasse tempo para lero-leros tão comuns nos corredores de empresas.
Ele admitia que o ambiente, quando o big boss viajava, virava uma festa. Eram momentos de relaxamento total. Diretores, gerentes e funcionários circulavam faceiros nos bastidores. Decididamente a empresa ou, nesse caso, a casinha, ficava cor de rosa e             feliz. O problema é que, na selva que viraram os negócios, as casinhas felizes estão fadadas ao fracasso. Ou será que aquele que fica na lanterna das vendas merece sossego? Ou será que aquele que fica em primeiro nas vendas merece um relax? Não, ninguém merece, porque é preciso que haja pressão e mais pressão, pois, por mais incrível que pareça, tanto as glórias como as vitórias, conduzem a acomodação e ao desestímulo.
Os empresários experientes sabem disto melhor do que ninguém. Não é por acaso que, mesmo diante de períodos lucrativos, não sossegam e ficam cada vez mais obstinados. Sabem perfeitamente que a euforia deve ser celebrada com prudência porque o sucesso é um veneno que enfraquece seus homens.
A pressão preserva o lucro e o lucro preserva as pessoas. Então, a pressão é fruto da sobrevivência e só ele, o empresário, tem consciência de sua responsabilidade social com aquelas pessoas. Se o julgam como demônio, ficam tensos, porém vivos. Se o julgam como Madre Teresa, se atiram nas cordas e são mortos.
Já reparou como os chefes bonzinhos perdoam? Não é à toa que são adorados. Aprendemos, desde a infância, a gostar de professores tolerantes, pois esses não nos exigiam esforços. Por outro lado, com carrancudos mestres, é que, através da pressão, mais tínhamos que superar obstáculos.
É claro, existem muitas correntes que entendem que empresas que ganham títulos de excelência na gestão de pessoas têm funcionários que vivem mostrando sorrisos. Até pode ser, mas também não se espere que a felicidade esteja presente o tempo todo, porque quem quer ser excelente em alguma coisa, em primeiro lugar tem que ter excelência no lucro. E lucro, decididamente, não se consegue sem sacrifícios.
Pode parecer contraditório, mas a empresa que quer ser mais humana, não deve ser permissiva aos erros e nem deve exagerar na contemplação aos acertos. Se quisermos ter profissionais equilibrados, a crítica no objetivo de não desviá-lo do rumo, deve ser sistemática. E os elogios, com a mesma finalidade das críticas, não devem ser permanentes, pois aquele que é elogiado em demasia tende a ser excessivo na sua confiança. E excessos de confiança tornam frágeis os homens e afrouxam seus interesses.
 As empresas bem sucedidas são aquelas que sabem mediar concessões. Dar muito ou dar pouco são procedimentos equivocados,  levando ao conflito e a insatisfação na gestão do pessoal. As empresas que querem perpetuar-se devem conceder aquilo que anseiam seus funcionários, de uma forma que não os deixem com fome e nem os deixem saciados. Por isso, o correto, obstante estranho soar, é só dar o suficiente. Quando os empresários são comedidos estarão, em todos os aspectos, conservando sua gente e os mantendo no emprego. A pressão de um lado e as lentas concessões de outro, servirão para que todos se conscientizem que generosidade demais pode gerar empregos de menos. Em razão disto, há que celebrar nas empresas os benefícios que são recebidos, pois servirão eles para compensar o ritmo intermitente, e por vezes invisível, da pressão necessária.
Todos os subordinados, quando as concessões acontecem, se satisfazem com o parcelamento das melhorias, as quais, mesmo que eles não se apercebam, os mantêm fiéis à doutrina da casa.
 Já reparou que, principalmente nas grandes empresas, em intervalos de tempo, aparecem alguns benefícios?
Eu nunca me esqueço de um empresário que, certa vez, me dizia: “Na maioria das vezes, podemos melhorar em muito a vida de nosso pessoal, mas a prudência nos orienta que não devemos ser demais generosos, pois esta precipitação pode gerar mais adiante, a expectativa de repetirmos o gesto. E, em verdade, lá adiante, não sabemos se poderemos.” A iminência desta reação faz com que os benefícios concedidos sejam dados em prestações homeopáticas. O dueto remuneração e beneficio é o principal conteúdo das pressões que surgem de baixo. É conveniente, portanto, que o empresário conceda o que reivindicam, mas aos poucos e em períodos intercalados. Ou, como bem se conhece nas rodas das associações patronais, “o bem tem que ser feito a prazo e o mal é melhor que se faça à vista...”
Por mais que estes fatos possam parecer desumanos, acreditem ou não, é uma alternativa eficaz para manter funcionários estáveis. Paradoxalmente, o método preserva-os no quadro, pois na expectativa de novas melhorias adiante, permanecem empregados. Nos atuais dias, isto faz grande diferença.
Sinceramente, nunca conheci nenhum empresário bem sucedido que fosse sempre bonzinho. E isto está longe de ser uma simples coincidência...

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quinta-feira, 23 de julho de 2015

NÃO ADIANTA ENFEITAR...

Da série BASTIDORES DO VAREJO, de Sergio Muller.

Steve Jobs e Apple, Bill Gates e Microsoft.
Qual a importância destas associações para quem tem uma empresa? Se você tem uma empresa e pensa unicamente na sua atividade em si, tipo assim comprar e vender, então você  não explora a sua marca pessoal, não é mesmo? Ou, pior ainda, se você não explora nem mesmo a marca de sua empresa, seja bem-vindo ao grupo dos lojistas que vendem produtos e preços e adoram clientes oportunistas.

Ao longo do meu trabalho com consultorias ao varejo, vejo estes filmes repetidamente, não só por parte dos lojistas, mas também através daqueles que o assessoram em sua comunicação com os clientes. Preço e Produto, Produto e Preço e alguns “enfeites” pensando que aquilo fará diferença com a concorrência. Diria que eles ainda têm sorte, pois a dita concorrência também não se diferencia em nada e temos, então, um mercado em que a farinha é tudo do mesmo saco.

Ora, sabemos atualmente que os produtos que existem em uma loja são uma espécie de commodities. Marcas de renome, tipo assim Nike, Adidas, Ellus, etc e etc, resguardadas as espécies, são a mesma coisa que soja, isto é, todo mundo tem e as únicas opções são marcar muito e vender pouco ou marcar pouco e vender muito. Entenderam até aqui?

A marca é o ativo mais valioso de uma empresa, tipo assim a Apple. Imagine se a esta marca se agrega outra marca, tão ou mais importante que ela, tipo assim a marca pessoal de Steve Jobs. Precisa dizer mais alguma coisa? Há algo a contestar?

Voltemos então ao nosso lojista de médio e pequeno porte, aquele do preço e do produto, aquele que enfeita a loja, enfeita o anuncio, enfeita o folder, enfeita o uniforme do pessoal... A questão com ele é quando ele vai compreender que ele próprio pode ter sua marca. A questão com ele é quando ele vai valorizar a marca de sua empresa. Isto, por incrível que pareça, é a parte mais árdua de uma consultoria. Infelizmente, o fracasso é parceiro de quem não faz nada diferente do que o vizinho faz, porque a inovação é uma afronta para os acomodados. Há que mudar a coisa mais complicada das pessoas, a mentalidade.

Ora, em um mundo em que os produtos viraram todos iguais e que poucos têm a exclusividade em algumas coisas, é natural que as margens de lucro sofram pressões. Então é natural que aqueles lojistas bem sucedidos tenham pensado, antes que os fracassados, que a fidelidade do cliente, no seu planejamento estratégico de marketing, ocupava um papel prioritário.

Pensemos de maneira radical e evitemos as complexidades teóricas do marketing. Primeiro, reconheçamos que não há, e nem nunca houve, fidelidade total de alguém. Dito isso, afirmo que para obter, pelo menos, a fidelidade parcial dos clientes é preciso que o lojista se livre do maldito complexo de vira-latas, o qual lhe tolhe a ousadia de surpreender o consumidor.

A fidelidade começa por ter um padrão que seja reconhecido, seja por uma atitude gerencial, seja por um “splash” num material gráfico de vendas. A fidelidade começa quando há objetivos sistemáticos em ser diferente para o cliente, em lhe apresentar algo novo, algo que crie intimidade pessoal, algo que ele veja realmente um valor. A fidelidade não começa quando você promete que o cliente terá o melhor atendimento na loja. A fidelidade começa sim quando ele tem realmente o melhor atendimento na loja. A fidelidade se consagra quando o cliente, por fim, conhece um gerente, se relaciona com o gerente e, mais consagrador ainda, sabe que este gerente poderá lhe ajudar sinceramente. A marca registrada, isso é do que eu falo.

É claro, existem programas e softwares que estudam, premiam frequências e outras vantagens, mas, obstante o valor desta tecnologia, não será ela que vai modificar o contexto se a gerencia não entender o valor de sua influencia pessoal ou o da marca da sua empresa.


Se a gerencia quiser dar o primeiro passo, comece por entender o Ativo e o Inativo da carteira de clientes do seu crediário. Quando ele constatar que não conhece pessoalmente os seus melhores clientes, pode ser que a ficha caia...

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terça-feira, 21 de abril de 2015

UMA COISA É UMA COISA, OUTRA COISA É OUTRA COISA...

Da série Bastidores do Varejo, de Sergio Muller

Era uma atrativa loja de departamentos numa área de mil metros. Uma empresa familiar e conservadora que lá estava há muitos anos e que vinha sofrendo, gradativamente, o desgaste causado pelo constante ingresso no mercado de concorrentes menores, porém muito mais dinâmicos. 

O seu layout era o mesmo de duas décadas passadas, os seus balcões envernizados residiam no mesmo ponto sem arredar o pé nem pra lavar embaixo. Mesmo assim, ainda conservava uma boa parte de seus clientes tradicionais. Talvez estivesse certo o velho dono quando me dizia: “se eu mudar as coisas eu perco os meus clientes, pois eles sabem direitinho onde fica tudo o que eles querem”.

Quando a família me chamou para este trabalho, me pediram somente uma coisa. Que eu não sugerisse modernizar a loja. Eles a queriam assim como ela estava, tal e qual o seu fundador a concebeu. Acima de tudo queriam o que todo mundo quer, lucro. Tinham eles um software “meia boca” que não queriam se desfazer, mas que era o suficiente para as informações que eu queria.

Quando diagnostiquei os problemas da loja, inesperadamente, percebi que a receita cobria perfeitamente os custos de sua operação e ainda lhes sobrava um bom lucro. A pergunta, então era, parodiando o Fantástico, “cadê o dinheiro que estava aqui?”. Amargavam eles empréstimos bancários para sustentar o negócio, coisa essa que sabemos, é um péssimo negócio. O que lhes sobrava saía pela porta da loja e entrava pela porta do banco. E essa história de portas sempre acaba com a primeira porta fechada, a qual, se ainda não estava, a hipotecada estava.

Ora, uma loja tem dois grandes custos a serem controlados com mão de ferro. Se os seus próprios custos estavam controlados, o custo que restava descontrolado estava. Via de regra, o maldito custo dos fornecedores. A família alegou, e com razão, que precisavam continuar comprando, pois caso contrário, a coisa ia para o país da Cucuia.

Quando, principalmente, se tem uma loja de departamentos, a primeira coisa, a mais fundamental de todas, é saber distinguir os tipos de estoques, pois eles não são e nunca serão iguais, aliás, nem mesmo para os pequenos lojistas. Por exemplo, uma bermuda de Tactel vende só no verão e uma calça de Jeans vende o ano inteiro, independente da estação. Ora, então algumas coisas são sazonais e outras são permanentes, não é mesmo? E como tal, coisas diferentes devem ter métodos diferentes. E qual desses dois produtos tem mais riscos de trazer prejuízos para o lojista? Evidentemente será a bermuda, que se sobrar, ficará seis meses paga e encaixotada. A calça jeans lá estará no cabide o ano inteiro e basta comprá-la mensalmente pela proporção que vender que prejuízo não haverá.

É bom que eu explique tecnicamente estas diferenças, pois o "furo da bala" do nosso cliente residia neste endereço.

O QUE É ESTOQUE PERMANENTE (BÁSICO)
São aquelas mercadorias que tem demanda contínua por muito tempo sem serem afetadas pelo clima ou por alterações de design. É um estoque extremamente simples no controle, já que as compras destas mercadorias podem ser programadas mensalmente com reposições normais. O lojista pode atuar, dependendo da entrega de seus fornecedores, com cobertura de, no máximo dois meses de estoque. Sua importância no mix de uma loja é fundamental e a estratégia vital é aumentar gradativamente a sua participação nas vendas. As vantagens do Estoque Permanente:

·        Margens estáveis e lucrativas
·        Riscos mínimos no investimento
·        Podem ser programadas por meses adiante pela média de vendas
·        Riscos mínimos de sobras 
·        Possibilidade de ter marca própria
·        Podem operar com baixo estoque
·        Giros de estoque com fácil controle
·        Lucratividade o ano inteiro
·        Raramente entram em liquidações
·        Possibilidade de expansão no mix 

O QUE É ESTOQUE SAZONAL
O estoque sazonal é aquele que atenderá, basicamente, às duas coleções do ano (Inverno e Verão), assim como é composto por produtos de modismos e eventos, isto é, são aqueles produtos de vida curta no ponto de venda. Ao mesmo tempo em que renovam a loja e atraem consumidores atualizados, trazem o grande risco de encalhes ao estoque. A habilidade do comprador determinará se o sazonal traz lucro ou prejuízo a uma empresa. A grande e melhor estratégia do sazonal é entrar antes que comece e sair antes que acabe. Nos indicadores, começa com giros máximos e termina com giros mínimos. Existem ainda outras perdas indiretas com as sobras destes estoques:

·        Depreciação de embalagens e produto
·        Reexposição inoportuna no layout do próximo ano
·        Produtos fora de tendência próximo ano
·        Depreciação imagem da loja
·        Quebra de margens da próxima coleção
·        Capital investido inerte nos depósitos


Resumindo, estas simplicidades foram adotadas no planejamento de compras daquela antiga loja, a qual, aliás, continua sendo antiga e tradicional, porém dois anos depois, nada mais deve para ninguém. Se vocês querem saber, os concorrentes continuam chegando e lá está ela, firme e despreocupada, com seus balcões envernizados...

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